Título: CPI dos Bingos guarda munição para ano que vem
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Fonte: Jornal do Brasil, 15/12/2005, País, p. A5
Após descartar a convocação formal do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, neste ano, a CPI dos Bingos adiou a divulgação do relatório sobre o caso GTech e deu nova trégua ao governo na votação de requerimentos polêmicos, seguindo a estratégia da oposição no Senado de ''guardar munição'' para 2006, ano eleitoral.
O relator da CPI, senador Garibaldi Alves (PMDB-RN), anunciou que decidiu deixar para 2006 a apresentação de seu parecer preliminar sobre o caso GTech, agendada para ontem. A justificativa para o adiamento foi que caso fosse divulgado hoje não haveria tempo hábil para votá-lo ainda neste ano, o que favoreceria a elaboração de múltiplas defesas dos envolvidos nas denúncias.
- É fundamental que ao se apresentar um relatório a CPI tivesse tempo suficiente para votá-lo, mas como encerramos os trabalhos hoje (ontem), haveria a solicitação de vista e não teria como votar - disse o presidente da CPI, senador Efraim Morais (PFL-PB).
Garibaldi Alves afirmou que vai aproveitar a convocação extraordinária do Congresso para apresentar em janeiro esse primeiro relatório parcial da Comissão.
O relatório apontará irregularidades e pagamento de propina na prorrogação do contrato de R$ 650 milhões da Caixa Econômica Federal com a GTech para a gestão dos sistema de loterias federais. Também irá propor o indiciamento de Waldomiro Diniz, ex-assessor da Casa Civil no governo Lula, e de Rogério Buratti, ex-secretário de Palocci quando foi prefeito de Ribeirão Preto (SP), entre outros envolvidos.
Além da desistência em apresentar o relatório, a CPI também amenizou sua artilharia contra o governo durante a votação de uma lista de 21 requerimentos de convocações e quebras de sigilos. Dois dos mais polêmicos deles, por exemplo, que pediam a quebra dos sigilos do presidente do Sebrae, Paulo Okamotto, e a convocação de sua mulher, Dalva Okamotto, foram descartados.
- É um requerimento que vai precisar de quórum especial para ser votado. Agora estamos no final do ano, em clima natalino. Não entendo que esses sigilos de Okamotto sejam ''de óleo quente'' - disse Efraim.
O vice-presidente do Senado, Tião Viana (PT-AC), disse que ''não há cuidado adicional'' com Okamotto, mas que o governo quer evitar que a CPI se torne ''uma trincheira para atacar a honra e a dignidade de personalidades'' com o intuito de promover ataques políticos.
A CPI dos Bingos suspeita que Okamotto, ex-tesoureiro do PT, usou dinheiro do esquema de Marcos Valério Fernandes de Souza para quitar uma dívida de R$ 29,4 mil do presidente Lula com o PT. Okamotto nega.
Apesar de poupar Okamotto, a CPI pediu ao Coaf o envio de um relatório sobre eventuais movimentações financeiras atípicas do presidente do Sebrae. A comissão também aprovou a quebra dos sigilos de 20 novas linhas telefônicas usadas por ex-assessores de Palocci suspeitos de tráfico de influência, além de Waldomiro e do empresário Carlinhos Cachoeira. Entre as linhas está a do telefone da casa alugada por Vladimir Poleto em Brasília que, segundo Rogério Buratti, funcionava como uma ''central de negócios''.
Além dos casos Gtech e CEF, a CPI investiga as denúncias sobre a existência de um suposto esquema de corrupção na Prefeitura de Ribeirão Preto durante a gestão do ministro Antoni Palocci (Fazenda), além dos assassinatos dos prefeitos petistas Celso Daniel (Santo André) e Toninho do PT (Campinas).