O Globo, n. 32495, 26/07/2022. Política, p. 7

''Podemos estar diante do maior esquema da história''

Fernanda Trisotto


A senadora Simone Tebet (MDB-MS), pré-candidata à presidência da República, afirmou ontem considerar que o orçamento secreto pode ser o maior esquema de corrupção da história da República. Ela ainda disse ter sido “a maior vítima” do mecanismo que privilegia aliados do Palácio do Planalto no repasse de recursos públicos, porque, na sua avaliação, perdeu a eleição para a presidência do Senado, no início de 2021, por causa da distribuição deste tipo de recurso a apoiadores de Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

— O orçamento secreto, por ser secreto e não transparente e não vir por meio de um programa de planejamento, programas metas e resultados, dá nisso: dá nesse esquema de corrupção — afirmou em entrevista ao Central das Eleições, da GloboNews.

Para fazer a comparação, Tebet citou valores atribuídos a outros escândalos de corrupção, especialmente das gestões petistas, como o mensalão, com valor de R$ 160 milhões, e do petrolão, com pelo menos R$ 2,3 bilhões.

— Quanto nós estamos falando do orçamento secreto? Nós estamos falando só agora de algo em torno de R$ 44 bilhões, sendo R$ 28 bilhões já executado. Então nós podemos estar diante do maior esquema de corrupção da história da República brasileira —afirmou.

Apesar das críticas, ela minimizou a responsabilidade do Congresso ao dizer que a gestão do orçamento secreto fica nas mãos de poucos parlamentares, embora tenha evitado nominá-los.

— Não é culpa do Congresso. É culpa de um governo que não sabe para onde vai e não sabe o que fazer com o dinheiro que tem.

MDB

Em relação às resistências que tem sofrido no MDB em torno da sua candidatura, Tebet minimizou os atritos internos do partido e que a tendência é ter seu nome aprovado na convenção marcada para amanhã.

— Nós estamos falando do maior partido do Brasil o mais democrático que sabe respeitar as regionalidades — afirmou. Ela acrescentou: — Temos absoluta tranquilidade que mais do que 70% dos delegados vão votar conosco.

Tebet ainda disse que parte da resistência em relação ao seu nome está sendo levantada por correligionários que têm ligação muio próxima ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, inclusive ocupando ministérios em governos do petista.

Tebet afirmou que sua candidatura será oficializada e resolvida em “48 horas”, e que uma vez homologada a candidatura, ela não vai retirá-la, porque será candidata do MDB, do PSDB e do Cidadania, que formam uma federação partidária e fecharam apoio em torno de seu nome.

Fome

A candidata também defendeu medidas como programas permanentes de transferência de renda como forma de o Brasil sair do mapa da fome e erradica a miséria. Sua proposta é que estes programam tenham uma porta efetiva de saída mirando a qualificação dos beneficiários para o mercado de trabalho. Ela defendeu ainda a criação do Ministério do Planejamento e Orçamento, para que o Executivo volte atero contro lede como deve ser aplicado os recursos do orçamento federal.

— Quem tem fome, tem pressa. Como medida de curto prazo, não tem saída: é transferência de renda permanente, eé possível mesmo com responsabilidade fiscal garantir essa transferência de renda permanente para todos os que precisam, com escala diferenciada —disse ela.

Apesar de não fazer referência aos valores de pagamento, a senador afalado Auxílio Brasil, programa que substituiu o Bolsa Família e foi criado sob medida para pretensões eleitorais do atual presidente Jair Bolsonaro. O programa paga um benefício de R$ 400 para qualquer família, independentemente da composição. Recentemente, coma aprovação da P EC Eleitoral, que instituiu um estado de emergência para driblar regras fiscais e eleitorais e permitir ao governo gastar mais R$ 41,2 bilhões com benefícios a três meses da eleição, o valor do auxílio aumentou de R$ 400 para R$ 600.