O Globo, n. 32497, 28/07/2022. Política, p. 10

MDB dá ampla maioria a Tebet, ainda sem Vice

Fernanda Trisotto
Eduardo Gonçalves


Em meio a divergências internas, o MDB oficializou ontem a senadora Simone Tebet (MT) como candidata do partido na disputa ao Palácio do Planalto. Horas antes, a federação formada por PSDB e Cidadania havia confirmado o apoio à emedebista, mas adiou a escolha de um vice em meio ao impasse envolvendo o senador Tasso Jereissati ( PSDB-CE ). Favorito ao posto, ele passou a demonstrar resistência em aceitar a tarefa.

A escolha de Tebet como candidata foi aprovada em convenção virtual, com a participação da maioria dos diretórios da legenda. Foram 262 votos favoráveis à candidatura própria e apenas nove contrários. Em Alagoas e na Paraíba, porém, os delegados optaram por não votar. Os diretórios locais são comandados por aliados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva — Renan Calheiros (AL) e Veneziano Vital do Rêgo (PB) —, que preferiram não participar da escolha como forma de protesto. Uma ala do MDB defende abrir mão de lançar um nome próprio na disputa para apoiar o petista, que lidera as pesquisas de intenção de voto.

Apesar de vencer a disputa interna, Tebet ainda enfrentará o desafio de se tornar uma candidata viável. A emedebista apareceu com apenas 1% das intenções de voto no último levantamento do Datafolha e não deve contar com apoio de correligionários em alguns estados, principalmente no Nordeste.

Num acordo para que Tebet tivesse a candidatura aprovada, o presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, indicou que liberaria os estados para fazerem campanha para o candidato que quiserem. Além da ala que apoia Lula, um grupo no partido defende a candidatura de Jair Bolsonaro.

Ao longo das mais de seis horas de convenção, esse movimento ficou bem claro: não houve discurso contrário à candidatura e todos os emedebistas que pediram para falar elogiaram a candidata do partido.

— Estou muito confiante que, a partir de agora, me torno mais conhecida. Não precisaremos chegara dois dígitos (nas pesquisas) para estarmos convictos que estaremos no segundo turno — afirmou Tebet, após ter a candidatura homologada.

A senadora foi a única que conseguiu se manter no páreo dentro do grupo de partidos da chamada terceira via, que por meses discutiu um nome viável para servir de opção à polarização entre Lula e Bolsonaro na disputa eleitoral. Na lista de candidaturas que naufragaram pelo caminho estão as do apresentador Luciano Huck, do ex-ministro Sergio Moro e do ex-governador de São Paulo João Doria.

Indefinição na vice

Após aprovar a aliança com Tebet, o PSDB agora tenta achar um nome para indicar para a vaga de vice. O nome preferido pela senadora é o de Tasso, mas ele próprio tem admitido a aliados que vem perdendo o entusiasmo com a possibilidade de compor com a colega de Senado. O resfriamento da relação se deu, sobretudo, em virtude das dificuldades que tucanos e emedebistas têm enfrentado para chegar a acordos em disputas estaduais.

De acordo com Bruno Araújo, presidente nacional do PSDB, a decisão sobre a vice cabe a Tasso. O PSDB espera que ele tome uma decisão até a quinta-feira. Caso ele abra mão, a tendência é de que a nova indicação seja um outro nome do próprio partido.

— Mesmo que não possamos tomar posição hoje, isso depende de questões políticas e eleitorais e também circunstanciais, estarei ao seu lado trabalhando por você — disse Tasso, em vídeo enviado para a convenção do MDB.