O Globo, n. 32499, 30/07/2022. Política, p. 6

PP de Ciro Nogueira não quer foto de can­di­dato com Bol­so­naro no Piauí

Luísa Marzullo


O diretório estadual do Progressistas, partido presidido pelo ministro chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP), acionou o Tribunal Eleitoral do Piauí (TRE-PI) para tentar proibir a circulação de imagens dos seus candidatos ao lado do presidente Jair Bolsonaro (PL). Na ação, a sigla alega ser fake news qualquer imagem que vincule os aliados de Nogueira e do presidente da Câmara, Arthur Lira, ao chefe do Executivo. A informação foi divulgada primeiramente pelo “Estado de S.Paulo”. Nas imagens divulgadas por meio do WhatsApp, o pré-candidato ao governo do estado do Piauí Silvio Mendes (União), que é apoiado pela sigla, aparece ao lado de Jair Bolsonaro na divulgação de uma agenda. Interlocutores próximos ao Progressistas ouvidos pelo GLOBO alegam que o material enviado no WhatsApp é falso, já que não há vínculo oficial entre o partido e o presidente Jair Bolsonaro. No entanto, nacionalmente, o partido integra a coligação com o Partido Liberal (PL). Em âmbito estadual, o diretório tenta se desvincular do presidente para não criar uma imagem negativa em cima das candidaturas. Em especial a de Silvio Mendes, que já disse, em declarações, que não apoia Bolsonaro.

Ainda na ação e extraoficialmente, o índice de rejeição de Bolsonaro nas pesquisas recentes é usado como argumento do partido, que teve o pedido negado pela Justiça Eleitoral.

Desempenho no nordeste

Na pesquisa Datafolha mais recente, divulgada na última quinta-feira, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera com uma vantagem de 35 pontos percentuais na frente de Bolsonaro no primeiro turno na Região Nordeste. Lula tem 59%, enquanto o presidente, 24%. A rejeição também foi abordada pelo instituto que, em maio, revelou que 65% dos eleitores da região não votariam em Bolsonaro “de jeito nenhum”. A rejeição do petista era de 22% entre os nordestinos. Presidente da sigla, o senador Ciro Nogueira tenta eleger aliados como o líder do Progressistas no Piauí, Júlio Arcoverde, que é pré-candidato a deputado federal.

Na Justiça Eleitoral, Arcoverde é responsável por outra ação que visa proibir santinhos que vinculem Bolsonaro aos candidatos da sigla. Assim como o ministro da Casa Civil, Lira apoia o presidente, mas evita o vínculo ao clã bolsonarista na região. Para o governo de Alagoas, o presidente da Câmara apoia o senador Rodrigo Cunha (União), antibolsonarista declarado. Enquanto deputado, em 1999, Bolsonaro votou contra a cassação do mandante do assassinato da mãe de Cunha, que foi morta no ano anterior pelo suplente.

No Rio de Janeiro, no entanto, Arthur Lira foi à convenção que ocorreu no Maracanãzinho no último domingo. O parlamentar ainda vestiu, no evento, uma camisa com a mensagem; “Bolsonaro 2022”.