Título: CVM avalia novas ofertas de ações
Autor: Samantha Lima
Fonte: Jornal do Brasil, 19/12/2005, Economia & Negócos, p. A18
Na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) estão em análise pelo menos dois pedidos de oferta primária de ações: da Companhia de Saneamento de Minas Gerais e da Companhia Brasileira de Propriedades Agrícolas. Roberto Nishikawa, presidente da Itaú Corretora, prevê um 2006 agitado de lançamentos. - Este ano tivemos US$ 7 bilhões em ofertas iniciais e aumento de capital. Espero que, no primeiro semestre, o valor chegue a US$ 3 bilhões. Serão ofertas menores, já que não há mais tanta empresa grande no país de capital fechado. Isso poderá reduzir o apetite do estrangeiro e, nesse espaço, devem entrar os investidores institucionais brasileiros - avalia.
Para Alexandre Povoa, porém, é difícil que o comportamento de estréias com cotações em disparada se sustente.
- Isso não é uma regra em qualquer lugar do mundo. Esse ganho garantido no curto prazo pode, em algum momento, deixar de ocorrer, se os estrangeiros se retraírem. É preciso cuidado. Por isso defendo a criação de normas para equilibrar a entrada de estrangeiros nas ofertas iniciais. Um mercado incipiente como o brasileiro não pode funcionar de forma tão desequilibrada. Há o risco de as pessoas físicas, em algum momento, terem perdas nesses lançamentos - observa.
O maior conselho para quem quer tirar proveito das ofertas iniciais de ações é ler o prospecto, explica Gandelman.
- É um calhamaço de, no mínimo, 200 páginas, mas é o único meio de entender o que é a empresa, o setor em que atua, por que ela quer abrir capital e quais são seus planos. Mas é preciso deixar bem claro que o mercado de ações é arriscado. Não tem como prever ganhos ou evitar perdas. Nem sempre as empresas que ingressam entendem que, ao entrar na bolsa, estão iniciando vida nova. Precisam dar satisfações aos minoritários e entregar lucro.
Alan Gandelman, sócio-diretor da corretora Ágora Senior, lembra, ainda, que 2006 é ano eleitoral.
- Poderá ser um ano de volatilidade, mas o Brasil já deu demonstrações, este ano, de que poderá suportar bem as turbulências do cenário político.
Embalados pelos resultados colhidos nos últimos lançamentos, porém, investidores já decidiram manter a estratégia de ir em busca de novidades. O engenheiro Fernando Kazam, 24 anos, é um dos que embolsaram os ganhos da estreante UOL, na sexta-feira. Pela sua carteira, já passaram novidades como Nossa Caixa e Cosan.
- Minha estratégia é me informar sobre a empresa, os resultados, o histórico. Se ela tiver fundamentos e estiver em um bom momento para seu setor, fico com o papel. Em caso contrário, se a empresa não tem consistência ou o setor está ruim, me desfaço do papel e embolso o resultado obtido no curto prazo - diz Kazam, que se aventurou pelo mercado acionário há um ano.
Já o economista Tiago Fernandes comprou e mantém na carteira Cosan e Nossa Caixa.
- Estou muito satisfeito com os resultados. Só não comprei outros lançamentos porque perdi os prazos. Estava passando da hora de nosso mercado acionário se desenvolver e criar novas oportunidades de negócios para o investidor - comemora Fernandes.