Título: Aldo ataca política econômica
Autor: Renata Moura
Fonte: Jornal do Brasil, 22/12/2005, País, p. A4

O presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP), deixou a tradicional discrição de lado para engrossar o coro dos aliados do governo que fazem críticas à política econômica atual, comandada pelo ministro da Fazenda Antonio Palocci.

Terça-feira à noite, durante entrevista ao programa ''Expressão Nacional'' exibido pela TV Câmara, Aldo defendeu o crescimento econômico como uma das metas a serem atingidas pelo país em 2006.

- O Brasil não pode crescer a taxas medíocres como tem acontecido nos últimos 15 anos - disse.

Apesar de ter lembrado o aumento da média de empregos criados ao mês - segundo ele, de 10 mil para mais de 100 mil -, cobrou ''mais do que isso''.

- O Brasil tem condições de crescer muito mais do que a China, do que a Índia, do que Rússia, do que a nossa vizinha Argentina - afirmou. Em seguida, o presidente da Câmara respondeu por que o país não consegue crescer.

- E por que nós temos crescido muito abaixo deles (referendo-se aos países citados anteriormente)? Acho que é pela política econômica, que confia pouco na nossa capacidade e na nossa potencialidade de crescimento - afirmou.

Segundo na linha sucessória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Aldo apontou as taxas de juros como ''principal inibidor para o crescimento econômico'' fazendo ecoar as críticas do vice-presidente José Alencar.

- Esse juro praticado é o principal inibidor do crescimento da economia e também o principal responsável pela valorização cambial que tem prejudicado o esforço de exportação - disse.

Para ele, a redução de juros já deveria ter sido adotada. Segundo Rebelo, com uma política ''mais realista'', o Brasil estaria crescendo mais e sem risco de volta da inflação.