Correio Braziliense, n. 22553, 16/12/2024. Política, p. 4
Preocupação em comunicar
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez questão de aparecer na coletiva, ontem, para mandar um recado claro: está bem e pronto para outra — mas sem exageros. Com a iminente saída de Paulo Pimenta da Secretaria de Comunicação da Presidência, a ideia foi deixar evidente que a interação com a população deve ser feita de maneira ágil e permanente.
“Faço questão de explicar de viva-voz. Não estava cortando a unha do pé, estava cortando a unha da mão. Não estava em pé, estava sentado. Tinha cortado minha unha, lixado, e quando fui guardar o estojo, ao invés de levantar e abrir a gaveta, tentei [me] afastar do banco. Caí e bati minha cabeça na hidromassagem e fez um estrago razoável”, detalhou Lula, sobre a queda que sofreu no banheiro do Palácio da Alvorada, em 19 de outubro.
As informações sobre a saúde do presidente tiveram respostas lentas ao que estava acontecendo — o que deu espaço às fake news sobre “clones” e “sósias” de Lula. Daí por que foi contar, pessoalmente, o que ocorrera.
“Faltaram alguns protocolos. Se o governo não divulga com clareza o que acontece, dá margem a boatos”, analisou Fred Perillo, consultor político e estrategista de comunicação.
Com Lula ainda na unidade de terapia intensiva (UTI), iniciou-se uma pressão para que a comunicação do governo fosse mais transparente com a saúde. Na quarta-feira, para desfazer boatos, o médico Roberto Kalil Filho confirmou à imprensa que o presidente faria um procedimento, no dia seguinte, para estancar um sangramento craniano. E deixou claro que só falou por orientação de Lula, pois o plano era, inicialmente, comunicar a intervenção médica apenas depois que ocorresse.
Em 6 de dezembro, Lula reconheceu graves problemas na comunicação do governo, em discurso no seminário do PT. “Há um erro no governo na questão da comunicação e sou obrigado a fazer as correções necessárias”, cobrou, deixando nítido o descontentamento.
O ministro da Secretaria de Comunicação, porém, não deve ser trocado em breve. Pimenta tem uma relação de amizade com Lula e, antes que seja dispensado, o presidente vai alocá-lo em outro posto. Isso será feito na reforma ministerial, que deve sair logo depois das eleições para as presidências de Câmara e Senado. Um dos mais cotados para assumir a comunicação do governo é o marqueteiro Sidônio Pereira.