O Globo, n. 32.296, 08/01/2022. Política, p. 7
Moraes prorroga pela quinta vez inquérito sobre interferência na
PF
Mariana
Muniz
O
ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), prorrogou
nesta sexta-feira o inquérito que apura as supostas interferências do
presidente Jair Bolsonaro (PL) na Polícia Federal. Prorrogada pela quinta vez,
a apuração sobre a ingerência na PF foi aberta após denúncia do ex-ministro da
Justiça e Segurança Pública Sergio Moro.
"(...)
Considerando a necessidade de prosseguimento das investigações e a existência
de diligências em andamento, nos termos previstos no art. 10 do Código de
Processo Penal, prorrogo por mais 90 (noventa) dias, a partir do encerramento
do prazo final anterior (27 de janeiro de 2022), o presente inquérito",
diz o despacho de Moraes publicado nesta sexta.
O
inquérito estava parado desde outubro de 2020, aguardando uma definição do
Supremo sobre o formato do depoimento de Bolsonaro à PF, se pessoalmente ou por
escrito. Em outubro, quando a questão começou a ser julgada, o presidente mudou
de ideia e encaminhou uma manifestação dizendo que iria depor pessoalmente.
No
depoimento, prestado no dia 3 de novembro ao delegado Leopoldo Lacerda,
Bolsonaro admitiu que pediu a Moro para trocar o então diretor da corporação,
Maurício Valeixo, e dois superintendentes do órgão,
mas negou que os pedidos configurem interferência politica. Segundo o presidente, o pedido foi feito
por "falta de interlocução" do comando da PF com ele. Bolsonaro
também afirmou que Moro geria o ministério sem "alinhamento" com as
demais pastas ou seu gabinete presidencial.
A
abertura do inquérito foi autorizada em abril de 2020 pelo ministro Celso de
Mello. O magistrado entendeu que os crimes supostamente praticados por
Bolsonaro, conforme narrado por Moro, podem ser conexos ao exercício do mandato
presidencial. O então relator também entendeu que o depoimento de Bolsonaro
deveria ser realizado presencialmente.
O
inquérito sobre as acusações de Moro, ex-ministro do governo e ex-juiz da
Operação Lava Jato, já colheu uma série de depoimentos. Ao final das apurações,
caberá ao procurador-geral decidir se vai denunciar Bolsonaro, arquivar as
investigações ou pedir novas diligências.