O Globo, n. 32.297, 09/01/2022. Economia, p. 17
Presidente promete alternativa para Refis de Simples e MEI até
terça
Bruno Goés
Um dia depois de vetar o projeto que cria um refis
para empresas enquadradas no Simples e Microempreendedores Individuais (MEIs), o presidente Jair Bolsonaro disse que o governo
apresentará solução alternativa até terça-feira. Segundo ele, o caminho para
substituir o Refis pode ser uma medida provisória ou uma portaria.
O
projeto vetado permitia o parcelamento de R$ 50 bilhões de dívidas de pequenas
e microempresas. Em conversa com jornalistas, Bolsonaro afirmou que havia
interesse do governo em aprovar o projeto, mas que existiam dois problemas.
Conforme o alerta da equipe econômica, o projeto não apresentava compensação
financeira, o que seria necessário já que um Refis para a pequena empresa
significa renúncia tributária e ela precisa ser coberta por outras fontes de
recursos. Segundo Bolsonaro, sancionar o texto nestes termos daria margem a
crime de responsabilidade.
O
presidente citou ainda que a sanção o deixaria em situação de
"fragilidade" diante da legislação eleitoral.
—
A decisão foi minha de vetar. Não poderia responder a
processo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ficar com o flanco
aberto. No dia seguinte, passei missão para Paulo Guedes buscar alternativa, possivelmente para ontem — afirmou a
jornalistas neste sábado.
Um
dos parágrafos do artigo 73 da Lei Eleitoral diz: "No ano em que se
realizar eleição, fica proibida a distribuição gratuita de bens, valores ou
benefícios por parte da Administração Pública, exceto nos casos de calamidade
pública, de estado de emergência ou de programas sociais autorizados em lei e
já em execução orçamentária no exercício anterior".
O
veto do presidente ainda pode ser derrubado no Congresso. O projeto foi
aprovado de forma quase unânime na Câmara dos Deputados e em votação simbólica
no Senado. Existem no país 18,9 milhões de microempreendedores individuais e
empresas de pequeno ou médio porte, de acordo com o Ministério da Economia.
Quando
o Ministério da Economia recomendou o veto integral ao projeto, apresentou como
alternativa a possibilidade de uma portaria da Procuradoria-Geral da Fazenda
Nacional (PGFN). Ela permitiria a negociação de débitos de empresas do Simples
e MEI inscritos na dívida ativa da União. Caso essa hipótese se confirme,
ela deve ser bem menos abrangente que um Refis e com condições menos favoráveis
de negociação.
O
projeto vetado pelo presidente permitia o parcelamento da dívida de empresas do
Simples e MEIs em até 15 anos, com descontos
proporcionais à queda do faturamento durante a pandemia de Covid-19, após o
pagamento de uma entrada. O valor da entrada varia entre 1% e 12,5% do valor da
dívida.
Já
os descontos sobre o montante seriam concedidos de acordo com a queda do
faturamento: quanto maior a redução, maior o desconto.