Correio Braziliense, n. 22564, 28/12/2024. Economia, p. 7

Dólar acumula alta de 2% na semana


O dólar comercial fechou a última sexta-feira do ano cotado a R$ 6,19, após acumular valorização de 2% na semana.

A moeda norte-americana, que vem de uma sequência histórica de altas, repercutiu no último pregão uma bateria de dados econômicos no âmbito doméstico, além da permanente incerteza sobre a condução da política fiscal.

Na mínima do dia, o dólar atingiu R$ 6,171, enquanto, na máxima da sessão, chegou a R$ 6,215. O Banco Central não realizou leilão de divisa estrangeira, o que contribuiu para que a moeda norte-americana seguisse mais fortalecida, com poucos minutos em queda no pregão.

O Índice Bovespa (IBovespa), principal indicador da Bolsa de Valores do país, a B3, caiu 0,67% no penúltimo pregão do ano, fechando a semana com 121.609 pontos. No ano, o IBovespa acumula queda de 10,37%.

Os dados positivos do mercado de trabalho divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) colaboraram para o mercado seguir negociando com o dólar mais valorizado. Logo no início do pregão, o IBGE ainda informou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), considerado uma prévia da inflação oficial, subiu 0,34% em dezembro, abaixo do esperado pelo mercado, pressionado por alimentos e bebidas. Mas o índice ultrapassou o teto da meta, de 4,50%, no acumulado do ano (Leia mais na página 8).

E, no âmbito político, o enfoque do mercado ficou por conta do imbróglio sobre as emendas indicadas pelas comissões parlamentares da Câmara dos Deputados, o que contribuiu para aumentar a desconfiança dos agentes financeiros em relação ao equilíbrio fiscal e manter o dólar acima de R$ 6. (Leia mais na página 2) Fragilidade “A disparada do dólar, que já superou R$ 6,20 e caminha para R$ 6,30, evidencia um cenário de fragilidade no Brasil”, avalia Volnei Eyng, CEO da gestora Multiplike. “Internamente, a ausência de medidas fiscais concretas por parte do governo alimenta a desconfiança, mesmo com a taxa de juros elevada em 12,25% ao ano. Externamente, o fortalecimento do dólar é impulsionado pela expectativa de cortes nas taxas de juros nos Estados Unidos, que tornam os títulos do Tesouro americano ainda mais atrativos”, observou o economista.

Essa combinação faz com que os investidores busquem refúgio em ativos de menor risco, ampliando a volatilidade no mercado, de acordo com os analistas.

“A trajetória de alta do dólar, que já flerta com os R$ 6,30, reflete a ausência de medidas concretas por parte do governo para lidar com o risco fiscal e estabilizar a economia. Apesar das taxas de juros em patamares historicamente elevados, a incerteza continua dominando o cenário doméstico. Com investidores buscando ativos mais seguros, a pressão sobre o câmbio se intensifica”, disse Felipe Vasconcellos, sócio da Equus Capital.