O Globo, n. 32.299, 11/01/2022. Política, p. 4
PE: petista se diz candidato e dificulta acordo com PSB
Lucas Mathias
Em um movimento que dificulta a equação de uma aliança com o PSB, o senador
Humberto Costa (PTPE) reforçou ontem que seu partido aprovou, “por esmagadora
maioria”, a indicação de seu nome para disputar o governo de Pernambuco.
Segundo ele, a decisão tem o aval do PT nacional e do ex-presidente Lula.
Embora
Costa afirme que essa não é uma “posição beligerante” e que o PT segue
empenhado em reforçar a aliança com o PSB, Pernambuco é um dos cinco estados
onde os socialistas cobram apoio do PT em troca de uma composição nacional com
Lula. Nessa lista também estão São Paulo, Rio Grande do Sul, Espírito Santo e
Rio de Janeiro.
“Nós
entendemos que o PT, pela sua história, pela sua relação com a Frente Popular,
tem todo o direito de indicar um nome para a análise e contribuir com o bom
debate”, escreveu o senador no Twitter, transcrevendo entrevista concedida à
“Rádio Folha PE”.
Pernambuco
é considerado um estado-chave pelo PSB, no comando do governo local há 16 anos.
Como já está em seu segundo mandato, Paulo Câmara não pode ser reeleito. O
apoio do PT ao ex-prefeito Geraldo Júlio (PSB) estava encaminhado, mas ele vem
resistindo a se posicionar como pré-candidato, e o diretório estadual petista
aproveitou o vácuo para aprovar a pré-candidatura de Costa.
Outro
impasse ocorre em São Paulo, entre o ex-governador Márcio França (PSB) e o
ex-prefeito da capital paulista Fernando Haddad (PT). Ambos estão bem cotados
nas pesquisas mais recentes de intenção de voto e não têm a intenção de
abandonar a disputa. A desistência de Haddad em favor de França, porém, tem
sido colocada como condição do PSB para fechar uma aliança.
No
Rio Grande do Sul, o nome do PSB para o governo do estado é o ex-deputado
federal Beto Albuquerque, mas o PT lançou a pré-candidatura do deputado
estadual Edegar Pretto.
No
Espírito Santo, o atual governador Renato Casagrande (PSB) deve tentar a
reeleição, mas acumula atritos com o PT. Em entrevista ao GLOBO, Casagrande,
que é secretário-geral do partido, chegou a dizer que é contra o PSB integrar
uma federação com outras legendas de esquerda, como PT e PCdoB, para não
atrapalhar a formação de lideranças e novos filiados.
No
Rio, por outro lado, a situação está mais pacificada. Lula foi um dos
articuladores da filiação do deputado federal Marcelo Freixo ao PSB e prometeu
apoiá-lo na disputa para governador.
As
divergências regionais quanto às eleições de outubro é um dos fatores quem têm
emperrado as negociações entre PT e PSB para uma aliança nacional e para a
formação de uma federação partidária.