Título: Vitória dos conservadores
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Fonte: Jornal do Brasil, 28/12/2005, Economia & Negócios, p. A18

A caderneta de poupança, quem diria, está entre as aplicações deste ano que fecharão o ano com vitória folgada frente à inflação. Segundo avaliação da consultoria Economática, a aplicação deverá registrar alta acima de 3% em 2005, retorno bem razoável para o investimento considerado o patinho feio pelos economistas e consultores de finanças pessoais. Segundo a Economática, o ganho real - descontada a inflação - da aplicação atingirá o mais alto nível desde 1999.

Examinando-se inflação até novembro e a rentabilidade no período, verifica-se que o retorno real da caderneta atingiu 3,7%. Em 1999, quando o Banco Central elevou a taxa básica de juros a quase 45% ao ano - em termos nominais - para controlar a inflação que poderia surgir com o fim da âncora cambial, os preços subiram 8,9%. Já neste ano, a inflação acumulada até novembro ficou na casa dos 5,3%.

''Se a inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em dezembro for inferior a 0,68%, a rentabilidade real do poupador ficará em 3% este ano'', avalia a consultoria.

Sem descontar a inflação, segundo dados da Economática, a rentabilidade da caderneta de poupança superou 8,39% até novembro e deve manter o ritmo no último mês do ano. No ano passado, o retorno do investimento descontada a inflação não passou de 1%. De acordo com o Banco Central, no fim de novembro, havia R$ 163 bilhões depositados na aplicação.

Embora o resultado tenha atingido o melhor resultado em seis anos, ainda está bem distante da rentabilidade oferecida por outros investimentos. Fundos de renda fixa conservadores, na esteira do juro alto, devem fechar com retorno superior a 18% ao ano. Já a Bolsa de Valores atingiu 29% de valorização até ontem.