Título: Haiti: culpa é da ONU e da OEA
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Fonte: Jornal do Brasil, 05/01/2006, Internacional, p. A12
Autoridades eleitorais haitianas responsabilizaram a Organização dos Estados Americanos (OEA) e a Organização das Nações Unidas (ONU) pelo mais recente adiamento das eleições no país - que estavam marcadas para 8 de janeiro - acusando as entidades de não distribuir os títulos eleitorais e de não montar locais de votação.
As autoridades eleitorais anunciaram o adiamento da eleição na sexta-feira, mas não determinaram a nova data.
- A OEA disse que a distribuição de títulos eleitorais seria concluída até 25 de dezembro, mas nem metade dos títulos foi distribuída - afirmou Rosemond Pradel, secretário-geral do Conselho Eleitoral Provisório - Isso é grave, muito grave - acrescentou.
- Agora disseram que a data é 5 de janeiro - declarou o premiê interino, Gerard Latortue.
O Haiti está sendo comandado por um governo interino apoiado pelos EUA desde que o presidente Jean-Bertrand Aristide foi derrubado do cargo, em fevereiro de 2004. Uma força de paz da ONU, liderada pelo Brasil e composta de 9 mil soldados e policiais, vem garantindo a segurança no país, que tem 8,5 milhões de habitantes e é o mais pobre das Américas.
O governo de transição está enfrentando dificuldades para organizar as eleições nacionais, que estavam inicialmente marcadas para novembro, mas que já foram adiadas várias vezes.
A autoridades eleitorais declararam que a OEA era responsável pelo registro dos eleitores e pela distribuição dos títulos, e que a missão de estabilização da ONU, conhecida como Minustah, deveria criar centros de votação em todo o país e cuidar da logística da eleição.
- Estamos fartos desses estrangeiros que ficam aqui gastando dinheiro e não resolvem as coisas - reclamou Pradel. Segundo ele, a Minustah recusou-se a criar centros de votação em número suficiente.
Afirmou que a missão da ONU havia garantido que os haitianos não teriam que caminhar mais de duas horas para chegar aos postos de votação.
- Agora ficamos sabendo que eleitores têm de andar por seis, sete horas para chegar a um local de votação em algumas áreas - revelou.
O porta-voz da ONU David Wimhurst negou as acusações.
- Nossa missão era verificar que os centros de votação que o conselho eleitoral havia escolhido existiam fisicamente - justificou.
Integrantes da OEA disseram que estavam prontos para começar a distribuir os títulos em 25 de setembro, quando os primeiros chegaram do México, onde foram impressos, mas que as autoridades eleitorais lhes pediram para não dar início à distribuição por que os locais de votação ainda não tinham sido definidos. Menos de 2 milhões entre os 3,5 milhões de eleitores registrados têm o título em mãos, segundo autoridades eleitorais.