Título: O consumidor sempre perde
Autor: Silmara Cossolino
Fonte: Jornal do Brasil, 05/01/2006, Economia & Negócios, p. A17
O consumidor deverá ser o grande perdedor caso o governo fracasse na tentativa de frear o preço do álcool. Responsável pelo aumento da gasolina nos últimos meses (entre a primeira e a última semana de dezembro houve alta de 0,6% nas bombas), o álcool é uma das principais armas para manter o preço do combustível sob controle. Isso porque a gasolina tem preço mais volátil, colado às cotações internacionais do petróleo.
Se a redução da parte de álcool que compõe a gasolina brasileira for levada adiante, existe a chance de o preço do combustível aumentar, já que a gasolina é mais cara.
A derrota do consumidor é recorrente na história do país quando se fala em controle de preços de combustíveis. No passado, os motoristas acabaram pagando mais caro e sofrendo com o racionamento do combustível nas bombas.
Para Adriano Pires, consultor do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE), o pior problema da estratégia do governo é a tentativa de intervenção, a principal responsável pelo fracasso do Pró-álcool.
- O governo corre o risco de desincentivar o produtor de álcool. E mais tarde, se a safra for grande demais, abre precedente para que os usineiros peçam uma intervenção para subir o preço - pondera Pires. - O mercado hoje é muito diferente dos tempos do Pró-álcool. Não há mais subsídios aos produtores e existe comércio externo para o álcool. A interferência do governo é um absurdo.