Título: Além do Fato: Ano novo com foco na educação
Autor: Angélica Simas
Fonte: Jornal do Brasil, 05/01/2006, Economia & Negócios, p. A18

Ano novo, vida nova, mas com as preocupações de sempre. Tudo gira em torno de previsões econômicas e discussões políticas. Mais uma vez perdemos o foco de algumas questões que são cruciais para o nosso desenvolvimento. O desenvolvimento e aplicação de uma política educacional mais consistente são fundamentais para a correção de distorções de mercado e para assegurar um desenvolvimento democrático. Sem uma programação mais ampla e aprofundada estaremos fadados a ficar eternamente aplicando programas de combate à miséria imediatistas, que não sustentam um desenvolvimento futuro.

Precisamos educar nosso povo para emancipá-lo de forma rica e criativa. A escola deve compensar a desigualdade social, possibilitando aos estudantes o acesso a todas as mídias.

A globalização é um fato, assim como a expansão mundial dos meios eletrônicos.

No mundo educacional, muitos mestres ainda questionam a ¿utopia eletrônica¿, ressaltando prós e contras. Existem até as correntes tecnofóbicas que resistem e questionam os limites éticos da tecnociência.

A vitória de Deep Blue sobre Gary Kasparov motivou diversas discussões sobre aonde iremos parar. Mas a verdade é que a tecnologia está disponível e é cada vez mais difundida nos países desenvolvidos. Se não tivermos um trabalho efetivo de inclusão digital no Brasil, ficaremos a cada dia mais excluídos. Temos de criar um maior espaço para que a população que hoje não tem acesso à tecnologia da informação possa chegar a ela e apropriar-se também dos conhecimentos e impactos conseqüentes.

O grande desafio da educação brasileira é aumentar a oferta de bens educacionais, culturais e possibilitar o acesso aos mesmos. Só desta forma as pessoas poderão definir com clareza tudo que os cerca, procurarão interpretar as informações com sua própria percepção.

Precisamos mapear e enfrentar as deficiências do sistema educacional promovendo sua renovação e refinamento. Neste processo precisamos induzir novos métodos de raciocínio que rompam com a pedagogia de transferência e mera reprodução de conhecimentos. Precisamos fazer o povo pensar.

Aplicar novas tecnologias de informação e educação à distância da denominada terceira geração, aquela que induz o indivíduo ao seu autodesenvolvimento.

Exclusão digital e cultural aprofundam a exclusão social. O problema é tão delicado que a ONU criou, além do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), o Índice de Avanço Tecnológico (IAT), que entre vários itens colocou como indicador a disseminação e democratização de novas tecnologias.

Mais do que nunca precisamos criar um projeto ¿Ignorância Zero¿, buscando o desenvolvimento cultural das cidades brasileiras da mesma forma como se busca alimento.

Só então é que poderemos pensar num futuro melhor para o nosso país e provavelmente teremos uma estabilidade econômica e consistência política mais justa, honesta e positiva.