Título: Empresário questiona licitações
Autor: Hugo Marques e Sérgio Pardellas
Fonte: Jornal do Brasil, 06/01/2006, País, p. A2
Depois de várias tentativas frustradas de participar das milionárias licitações na área de informática em Brasília, o empresário Luiz Souza começa a vislumbrar vitória numa guerra jurídica que travou contra alguns órgãos públicos. Gaúcho, 42 anos, analista de sistemas, o principal executivo da Freedows Consortium garante que seu sistema operacional custa um décimo do valor cobrado por algumas multinacionais.
A licitação da Câmara não é a única cancelada depois que a Freedows Consortium começou a cobrar igualdade de tratamento no mercado de informática governamental.
Segundo ele, a Fundação Nacional de Saúde e a Infraero também cancelaram recentemente licitações para compra exclusiva de produtos Microsoft.
- Na compra em que a Câmara dos Deputados gastaria até R$ 8 milhões, eu entregaria o mesmo produto por R$ 800 mil - garante Luiz.
Para tentar sensibilizar os políticos para a necessidade de livre concorrência na Esplanada dos Ministérios, a Freedows já enviou mensagens para a chefe da Casa Civil, ministra Dilma Roussef, o vice-presidente José Alencar, ministérios e órgãos de fiscalização e controle, exemplo do Tribunal de Contas da União.
As empresas brasileiras que podem fornecer produtos de informática ao governo, disse Luiz, são excluídas na hora da redação dos editais de licitações. Segundo o empresário, os órgãos públicos especificam a compra de produtos Microsoft nos editais e com isso acabam impedindo quaisquer outras empresas de apresentar seus produtos.
- Dá uma sensação de impotência ser eliminado de antemão nas licitações. As pessoas do governo te descredenciam - lamenta Luiz.
A Freedows, no entanto, já conseguiu vender seu sistema operacional para o Ministério do Trabalho e para o Instituto Nacional de Meteorologia. Outros órgãos públicos estão em processo de homologação para utilizar o sistema. (H.M. e S.P.)