Título: Partido perde intelectuais
Autor: Juliana Rocha
Fonte: Jornal do Brasil, 08/01/2006, País, p. A3

A separação do presidente Lula das diretrizes do programa de governo elaborado pelo partido em 2002 e o escândalo do mensalão provocaram o afastamento de antigos colaboradores do partido. Na campanha deste ano, Lula não terá ao seu lado o apoio de acadêmicos como o professor de economia Reynaldo Gonçalves, intelectuais como o sociólogo Francisco Oliveira e a filósofa Marilena Chauí e artistas como Chico Buarque - que atraíram os holofotes para o então candidato e renderam boas idéias nas eleições passadas.

O ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) Carlos Lessa - demitido do governo por bater de frente com Lula ao não conseguir seguir o modelo nacionalista no banco de fomento - lamenta os rumos que o governo Lula tomou.

Conhecido pela defesa fervorosa das políticas nacional-desenvolvimentistas, Lessa agora prepara o programa do PMDB. Ele levou para sua equipe ex-colaboradores do programa do PT como o economista Luiz Eduardo Melin e o intelectual César Benjamin.

- Minha linha de trabalho no BNDES seguia exatamente o programa de governo do PT, mas Lula decidiu tomar um rumo econômico diferente. Bati de frente com Antonio Palocci (Fazenda) e Henrique Meirelles (Banco Central) e perdi o emprego - lembra Carlos Lessa.

Os defensores de Lula garantem que alguns pontos do programa de 2002 foram, sim, cumpridos. Tarso Genro cita o Bolsa-Família - que é apenas um dos pontos do Programa Fome Zero -, programas educacionais e a atuação na política externa e no comércio exterior.