Título: Parceria é solução
Autor: Rafael Rosas
Fonte: Jornal do Brasil, 08/01/2006, Economia & Negócios, p. A22
A pressão da concorrência das grandes empresas, o fim de subsídios governamentais para compra de aeronaves e compensação tarifária, além da escalada dos preços do querosene de aviação contribuíram para mudar o perfil da aviação regional nos últimos anos. Cada vez mais, as companhias menores atuam como alimentadoras (feeders) dos vôos das grandes empresas nacionais.
A Team é uma das empresas que busca parcerias. A companhia desenvolve projetos para venda de passagens casadas, via internet, com a Gol e a Delta Airlines, principalmente em função do trânsito de executivos entre São Paulo, Estados Unidos e Macaé por conta da exploração de petróleo na Bacia de Campos.
O diretor-presidente da Team, Mário César Moreira, não descarta a futura abertura de capital e revela que entre os seus planos não está a transformação em uma companhia nacional.
- Quero me tornar uma grande empresa local, com hubs em todo o país. O objetivo é fazer uma aviação civil regional e barata. É preciso ser mais em conta que uma corrida de táxi - diz.
Para baratear os custos, a empresa paga adiantado pelo combustível, oferece um serviço de bordo no estilo self-service e investe em tecnologia, com venda de passagens sempre pela internet, o que garante informações sobre a receita conseguida com cada vôo imediatamente após o check-in.
Os investimentos já começam a dar resultado. A Team, que opera em Búzios, Macaé, Congonhas, Santos Dumont, Angra dos Reis, São José dos Campos e Paraty, finaliza acordo para retomar as linhas regulares em Resende, no Sul Fluminense, em fevereiro. Inicialmente, a proposta é para quatro vôos diários entre o Rio e Resende, que não tem vôos regulares desde 2000.
- O vôo regular seria um complemento para o desenvolvimento da região - diz Ricardo Abud, secretário de Desenvolvimento Urbano de Resende, acrescentando que as empresas envolvidas na negociação acenam com uma demanda maior em relação a uma ligação com São Paulo.
A Passaredo, que opera em Ribeirão Preto, Guarulhos, Uberlândia e Goiânia, é outra que tem como meta fortalecer uma parceria comercial, neste caso com a TAM. O acordo garante venda de passagens para Brasília e Campo Grande (MS).
O objetivo é o crescimento lento, mas sustentado, evitando tentativas como a do final da década passada, quando a companhia decolou para o mercado nacional e acabou sendo obrigada a parar as operações em 2002. A volta, em 2004, foi puxada pela atual frota de dois Brasílias - antiga aeronave da Embraer.
- Hoje temos uma empresa enxuta, com 50 funcionários. Os aviões são nossos, o que elimina o custo do leasing. O mercado regional tem muito a ser explorado, principalmente no Norte e Centro-Oeste. Muitas cidades têm potencial e não são atendidas - afirma Ricardo Cagno, diretor de planejamento e desenvolvimento.