Título: Mercado crescerá menos em 2006
Autor: Rafael Rosas
Fonte: Jornal do Brasil, 08/01/2006, Economia & Negócios, p. A22

Os brasileiros nunca voaram tanto como no ano passado, quando 33,7 milhões de passageiros aproveitaram as tarifas promocionais geradas pela forte concorrência e o aumento da oferta de assentos. Em 2006, também haverá crescimento, principalmente por causa da entrada em operação de novas aeronaves da TAM - quatro Airbus A320 - e da Gol, com mais nove Boeings 737-800. O patamar, no entanto, será menor.

Para o analista de aviação do Unibanco, Carlos Albano, a aumento da oferta de assentos foi essencial para a expansão do setor.

- Além disso, a guerra de tarifas no decorrer de 2005 foi fundamental para esse desempenho da aviação civil - explica.

A Gol teve um aumento na oferta de 41% no ano, enquanto a TAM ampliou os assentos disponíveis em 34%. Já a Varig registrou queda de 0,5%.

Para 2006, Albano acredita que o crescimento do mercado doméstico será mais modesto, entre 10% e 12%.

- A queda das tarifas não vai se repetir. Se o crescimento for semelhante ao de 2005, será uma surpresa bem agradável.

A Gol, que teve um crescimento de participação de mercado de 45,9% em 2005, espera uma elevação de cerca de 50% este ano, segundo o vice-presidente de marketing da companhia, Tarcísio Gargioni. Para ele, 2006 não será um ano tão positivo para o setor como um todo, com avanço estimado de 10% a 12%.

- O ano de 2005 foi bom para toda a indústria de turismo no Brasil e isso impulsionou a aviação. Neste ano acredito que não será tão forte, mas iremos crescer acima da média - diz.

A analista de aviação do Banco Santander, Daniela Bretthauer, também acredita em avanço de 10% do mercado.

- A demanda foi superestimulada no ano passado. E isso não vai se repetir em 2006.

Para o analista de investimentos da ABN Amro corretora, Pedro Galdi, as companhias aéreas que disputam o mercado doméstico continuarão a se movimentar para cobrir o espaço perdido pela Varig.

- A corrida por uma fatia de mercado será liderada pela Gol e pela TAM, mas essas empresas terão que dividir o bolo com a OceanAir e a BRA.