Título: Os desafios que esperam Ehud Olmert
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Fonte: Jornal do Brasil, 07/01/2006, Internacional, p. A7

Os problemas de segurança mais imediatos que o primeiro-ministro interino Ehud Olmert terá de enfrentar são a guerra contra o terror palestino, incluindo os foguetes Qaassam, e a ameaça da Al Qaeda. Como não parece que o premier Ariel Sharon vá retomar seu cargo antes das eleições, Olmert terá que decidir se acaba ou não com o boicote ao presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, e o recebe num encontro, apesar da anarquia instalada na ANP e da participação do Hamas nas eleições palestinas.

A preocupação imediata é com a possibilidade de as organizações terroristas palestinas decidirem aplicar à nova liderança de Israel uma espécie de ''teste de resistência''. Especialmente por causa da anarquia na ANP, eles podem dar passos extremos que iriam acirrar o conflito. Olmert poderia ter, então, que decidir como reagir.

Também terá de enfrentar decisões como permitir ou não que palestinos votem em Jerusalém, direito que lhes é garantido pelo Tratado de Oslo, e o que fazer com relação à presença do Hamas nas cédulas eleitorais, o que é proibido pelo mesmo protocolo.

A ausência de Ariel Sharon priva o governo israelense de seu mais experiente especialista em segurança nacional. Mesmo aqueles que discordam de suas posições políticas não podem questionar sua imensa experiência no assunto. Experiência, no entanto, obviamente não garante que erros não sejam cometidos.

E Ehud Olmert vai ter à sua disposição uma extensa lista de conselheiros altamente experientes, encabeçada pelo chefe das Forças de Defesa de Israel, Dan Halutz, que foi, aparentemente, a última pessoa a falar com Sharon na quarta-feira à noite, pouco antes de sofrer o derrame.

Outros membros da equipe de segurança são o novo chefe da Inteligência Militar, general Amos Yadlin; o chefe do Shin Bet, Yuval Diskin; o chefe do Mossad, Meir Dagan; e o diretor da Comissão de Energia Atômica, Gideon Frank.

O próprio Olmert passou anos muito envolvido com assuntos de segurança e diplomacia, mas muito mais em termos de conhecimento e influência do que, propriamente, de ações e decisões. Ele vai ter o apoio do ministro da Defesa, Shaul Mofaz, ex-chefe do Estado-Maior. Mofaz tem uma visão de direita, mas pode manter o status quo no Ministério da Defesa, embora os aliados de Sharon costumassem dizer que era preciso vigiá-lo de perto.

Sharon tinha um estilo centralizador com relação a decisões envolvendo assuntos de segurança e de diplomacia aliada a essas mesmas questões. Nesses casos, ele tendia simplesmente a ouvir em lugar de seguir conselhos, e quase nunca recorria ao Conselho de Segurança Nacional (CSN). Olmert vai ter de mudar essa rotina, e, em particular, se valer com mais freqüência do conselho, hoje chefiado por Giora Eiland.

Além de lidar com os ataques terroristas e a perigosa anarquia da ANP, Olmert precisa ficar atento a qualquer tentativa da Al Qaeda de entrar no Líbano e usar o país como uma base para ataques a Israel ou cidadãos israelenses. A Al Qaeda já está no Sinai e Jordânia, e está claro que a organização já entrou recentemente nos campos de refugiados palestinos no Líbano, onde uniu forças com extremistas que recentemente lançaram foguetes Katyusha em Kiryat Shmona e Shlomi.

Outro problema que não vai desaparecer a curto prazo é o programa nuclear do Irã. Esta é uma questão extremamente sensível e importante no que diz respeito à segurança de Israel, e Sharon surpreendeu muitas pessoas quando colocou o Mossad à frente dos esforços, incluindo os diplomáticos, para fazer o país interromper o programa. Israel não está sozinho nessa luta; a batalha diplomática contra o Irã ainda não foi descartada.

Entretanto, o Irã tem debochado daqueles que tentam negociar com o país. Se as negociações falharem, a questão será levada ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas. Isso iria abrir um novo campo de batalha, e Israel estaria na linha de frente. O primeiro-ministro interino precisa, portanto, se preparar para essa eventualidade.