Título: Estradas: confusão no início das obras
Autor: Fernando Exman e Paulo Celso Pereira
Fonte: Jornal do Brasil, 10/01/2006, País, p. A5

No Rio, principal frente de trabalho provoca 14 km de engarrafamento, com muitos protestos e poucas reformas

O programa emergencial de tapa-buracos nas estradas, anunciado com alarde pelo Governo Federal, começou ontem lentamente e com muita confusão. Na principal obra anunciada para o Rio, a recuperação da BR-101 Norte, que liga a capital a Campos, o Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes (DNIT) provocou engarrafamento próximo à Manilha, fazendo com que os motoristas que saíam do Rio levassem até duas horas para atravessar os 14 km de congestionamento.

Ao longo de todo o percurso, carros utilizavam o acostamento sem que a Polícia Rodoviária Federal tomasse providências. Segundo o agente Egger, que se posicionava em frente à obra na Manilha, não havia como coibir os infratores.

- Anotei dezessete veículos porque cada anotação gera um auto de infração. Se eu anotar cem carros que estejam no acostamento vou estar perdendo tempo, porque o sistema não vai conseguir fazer os procedimentos para mandar a multa para a casa do motorista - explicou.

Na obra, cerca de dez funcionários faziam a raspagem de 200 metros de pista, para em seguida colocar o asfalto. Do outro lado da estrada, um caminhão tapava os buracos da estrada. Para quem estava no engarrafamento, faltou organização.

- Falta um plano de ação. A Polícia Rodoviária não fez nada para coibir os carros no acostamento, não havia ninguém orientando. Isso é brincar com o dinheiro do povo - irritou-se o administrador Marcos Thadeu, 45 anos, que vai diariamente da Tijuca a Itaboraí.

O coordenador do DNIT no Rio, Rodrigo Costa, considera o trânsito normal. Apesar dos flagrantes de infrações, ele afirma que o efetivo da Polícia Rodoviária era ''o necessário''.

- Em obra você tem de conviver com um pouco de retenção - minimiza.

Ontem, o ministro dos Transportes Alfredo Nascimento (PL-AM) revelou que o plano emergencial, que foi lançado no último dia útil de dezembro, estava pronto desde outubro. Segundo ele, as reformas, que deve durar no máximo um ano, vão tapar buracos em 26,5 mil quilômetros de rodovias e vão custar R$ 440 milhões.

- Em outubro eu concluí o projeto e fui convencer o governo, porque isso tem custos financeiros - afirmou Nascimento. O ministro estima que uma reforma duradoura custaria cerca de R$ 20 bilhões.

A revelação surpreende, já que o caráter emergencial das obras permitiu que elas fossem feitas, em parte, sem licitação. Segundo especialistas, o tempo estimado para o governo fazer a concorrência de preços seria de três meses. O ministro afirmou que, apesar disso, as obras devem ter 20% de desconto em relação á tabela de referência.

Nas entrevistas que deu, o ministro teve que justificar o fato de as obras estarem sendo feitas em ano eleitoral e no período de chuvas.

- Em ano eleitoral não se pode parar as obras. As pessoas sempre vão reclamar. Reclamam quando não se faz a obra, quando faz a obra diz que o momento é impróprio - defendeu.

Questionado sobre se não era muita festa para obras paliativas, o ministro respondeu:

- Eu não estou fazendo festa, estou fazendo uma coisa diferente. Esse não é um serviço paliativo. Essa é a maior operação de prevenção que se faz na história do ministério e vai ter manutenção depois - disse.