Título: Poupança em vez de lazer
Autor: Bruno Rosa
Fonte: Jornal do Brasil, 11/01/2006, Economia & Negócios, p. A18
Os consumidores estão abrindo mão do lazer para guardar as sobras do orçamento para uma eventualidade futura. A conclusão faz parte da pesquisa Perfil Econômico do Consumidor realizada pelo Instituto Fecomércio-RJ. O levantamento aponta, ainda, que a preocupação com os gastos ganha intensidade entre as pessoas de maior poder aquisitivo e que cresceu o número de famílias com folga no orçamento.
Para Clarice Messer, diretora da Fecomércio-RJ, os dados mostram que os consumidores estão mais cautelosos. Nas famílias com até 8 salários mínimos (R$ 2,4 mil), o avanço para compor a reserva para uma eventualidade foi de 5%, passando de 27%, em dezembro de 2004, para 28,4% no mesmo mês do ano passado. Já nas famílias com rendimento acima de 8 salários mínimos, cresceu 50%, de 24,1% para 36,4% no mesmo período.
No caminho inverso, os gastos com lazer estão minguando. Nos lares com renda até 8 salários mínimos, caiu de 27,9% para 24,9%, recuo de 10,75%. As que possuem mais de oito salários mínimos diminuiu de 32,7% para 23,9%, retração de 26,9%. O estudo ouviu 3.100 pessoas entre os dias 13 e 16 de dezembro de 2005 na Região Metropolitana do Rio - antes, portanto, das compras natalinas.
Ulysses Reis, coordenador de varejo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), acredita que a precaução dos consumidores pode ser explicada pelo nível de endividamento atingido ao longo de 2005 e a conscientização de parte da população sobre o valor do dinheiro e o custo alto do crédito.
- Muitos consumidores optaram por não gastar nada nas compras de Natal, esperando as liquidações. As pessoas estão se prevenindo, temendo ocorrer o mesmo verificado após do início do Plano Real, em 94, quando o consumo aumentou, a inadimplência subiu e as famílias ficaram sem dinheiro em caixa - avalia Reis.
A pesquisa mostra também que o percentual de famílias que tiveram sobra no orçamento aumentou de 29,1%, em dezembro de 2004, para 31%, no mesmo mês do ano passado. Além disso, o Índice de Expectativa do Consumidor (IEC) em dezembro foi o melhor da série histórica, com 116,3 pontos.
- É um movimento consistente porque a alta acontece desde agosto - explica Clarice.