Título: Além do Fato: Porta estreita da política estadual
Autor: Paulo Celso Pereira
Fonte: Jornal do Brasil, 16/01/2006, País, p. A2

Na Bíblia está escrito que é estreita a porta do céu. Transferindo para o cenário político-eleitoral da sucessão estadual podemos afirmar que começa a estreitar-se a porta que conduz ao Palácio Guanabara. Após a realização da 3ª rodada da pesquisa eleitoral JB-IBPS, percebemos, na análise dos resultados das intenções de voto para governador do estado, um nítido afunilamento nas opções políticas do eleitorado fluminense. Passado o auge da crise política, em novembro, os eleitores voltaram a se definir na corrida sucessória. O número de eleitores indecisos caiu 53% e os que declararam votar em branco diminuíram em 59% nos últimos dois meses. Os votos nulos continuam estacionados na casa dos 10% no que parece ter se convertido numa ¿opção política¿ de parte do eleitorado. Na disputa pela sucessão da governadora Rosinha Matheus podemos destacar, como numa maratona, um pelotão de frente, corredores intermediários e um grupo, digamos, em desvantagem. No pelotão de frente, o senador Sérgio Cabral mantém-se na liderança, com 22,4%, seguido de outro senador, Marcelo Crivella, com 18,4% e da deputada federal Denise Frossard, com 15,5%. Desses candidatos, Crivella carrega o peso de uma alta taxa de rejeição de 24,1%, o que dificulta seu crescimento. Na capital, há empate técnico entre Sérgio Cabral e Denise Frossard; na Região Metropolitana, o empate é entre Marcelo Crivella e Sérgio Cabral, com vantagem para o primeiro, quadro que se repete no Interior, desta vez com ligeira vantagem para Sérgio Cabral. Na região metropolitana, o peso do voto evangélico ajuda a colocar o Crivella na liderança da disputa.

Na posição intermediária, o ex-prefeito de Niterói, Jorge Roberto Silveira, aparece com 8,3% das intenções de voto com um crescimento de cerca de 140% em relação a novembro. Na Região Metropolitana ele assume a terceira colocação, em razão de ter 31,3% dos votos da região Niterói-São Gonçalo, dois dos maiores colégios eleitorais do estado.

No pelotão de trás, os candidatos do PFL, do PSDB, do PT e do PSOL. Os dois primeiros padecem de uma espécie de entressafra de lideranças mais amplas, como Cesar Maia e Marcello Alencar, que não conseguiram ainda firmar sucessores. O PT sofreu um revés importante com a saída de muitas de suas lideranças estaduais para o PSOL e com o desgaste de um candidato que já está nas disputas eleitorais há algum tempo.

Na disputa pelo Senado, a grande surpresa é a votação de Benedita da Silva (PT), que só recentemente apresentou sua candidatura. Com uma votação importante, sobretudo na Região Metropolitana, Benedita desponta como a detentora do maior capital de votos do PT no estado. Seu maior problema é a rejeição de 28,1%, superior mesmo às suas intenções de voto de 19,4%. Em segundo lugar, Francisco Dornelles (PP) aparece com boas perspectivas, uma vez que sua rejeição é de apenas 2,8%. Outra novidade é a votação do deputado Rodrigo Maia (PFL), que, numa primeira aparição, detém 7% das intenções de voto e pode se tornar uma opção no futuro se as candidaturas que estão à frente sofrerem algum desgaste.

O quadro eleitoral das eleições majoritárias no estado parecem encaminhar-se para uma cristalização de suas opções, ainda que permaneça significativo o número de indecisos e de eleitores que pretendem anular o voto ou votar em branco. Cada vez mais, os sinais de chuvas e trovoadas vão se distanciando da cena política do estado.