Título: Vandalismo agrava a falta de dinheiro
Autor: Patrícia Alencar
Fonte: Jornal do Brasil, 30/01/2006, Brasília, p. D6

A destruição dos equipamentos pelos alunos é um dos maiores problemas das escolas. A participação dos pais ameniza a falta de recursos Livros, carteiras, pinturas, quadros, banheiros e outras benfeitorias passam por reformas nas escolas de Ensino Fundamental ¿ 5ª à 8ª série ¿ no Distrito Federal. A meta é acolher os estudantes para o início do ano letivo, que começa no dia 20 de fevereiro. Mas nenhuma escola passou por uma obra geral. A realidade dos centros de ensino Fundamental está muito distante do ideal. Professores lutam contra as dificuldades diárias pela falta de infra-estrutura. Os alunos ficam à mercê de um ensino precário. A Secretaria de Educação oferece atendimentos emergenciais na tentativa de reduzir as carências dos colégios que sofrem com a ação do tempo. No Centro de Ensino Fundamental Nº 1, de Planaltina, as paredes ganharam cor e figuras. O piso foi restaurado. A escola atende 2.580 alunos, da 5ª à 8ª série, em três turnos. A diretora, Mércia Aparecida de Lima, afirma que a dificuldade que o ¿Centrinho¿ ¿ como o colégio é conhecido ¿ vem passando é com relação a demanda.

¿ Temos muitos alunos e poucas salas de aula. Estamos trabalhando no limite. As classes estão lotadas. Sabemos que isso acaba comprometendo o ensino, mas não podemos deixar de oferecer educação para a comunidade. Os professores se esforçam para atender a necessidade de cada aluno, mas isso nem sempre é possível, infelizmente ¿ afirma Mércia Aparecida.

A diretora reforça que hoje a escola só recebe, por ano, a verba do Programa de Descentralização de Recursos Financeiros (PDRF), no valor de aproximadamente R$ 30 mil. As benfeitorias realizadas para o começo do ano letivo foram custeadas, segundo Mércia Aparecida, com o dinheiro da Associação de Pais e Mestres (Apam). Comunidade Maria das Dores Oliveira Sampaio, cabeleireira, têm dois filhos matriculados no ¿Centrinho¿. Ela conta que a escola alguns anos atrás estava em estado de calamidade.

¿ Tivemos que reunir os pais para providenciar as reformas na escola. Sabíamos que do governo não podia se esperar muita coisa. Tivemos que arregaçar as mangas e trabalhar por uma escolar melhor para as crianças. Do jeito que a escola estava não era possível ter aula. Mas com o apoio da Apam, conseguimos várias melhorias. Infelizmente pagamos diversos impostos e ainda temos que arcar com os custos das escolas públicas.

O Centro de Ensino Fundamental Nº 07, no Guará, que atende alunos da Estrutural, também está de cara nova para receber os estudantes. A escola ganhou nova pintura. O piso das áreas externas foi cimentado. Os banheiros têm portas e espelhos. A vice-diretora, Dijanira Pereira Lima, afirma que o grande apoio vem da comunidade:

¿ Sempre contamos com a colaboração dos pais. A nossa Apam vem realizando um trabalho essencial para a vida útil da escola. O colégio atende cerca de 1.300 alunos, em três turnos. Como nem sempre podemos contar com a verba da Secretaria de Educação, os pais promovem eventos para angariar fundos. O outro lado positivo é que isso acaba atraindo os pais para dentro da escola. O acompanhamento do rendimento escolar do aluno, pelo responsável, reflete no comportamento do estudante durante todo o ano letivo.