Título: ONU apóia projeto de laptop de US$ 100
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Fonte: Jornal do Brasil, 30/01/2006, Internet, p. A22

Brasil estuda a adoção do equipamento

A Organização das Nações Unidas (ONU) empenhou sua força, em Davos, no Fórum Econômico Mundial, a favor do ambicioso projeto de um laptop de US$ 100 projetado pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT). A iniciativa pretende oferecer acesso à informática na educação para alunos de países em desenvolvimento, com a distribuição gratuita do equipamento.

A intenção é prover um laptop para crianças que não têm condições de comprar um computador. O equipamento seria usado na escola e em casa e financiado por governos e doações de caridade.

A ONU e a organização sem fins lucrativos One Laptop per Child (Um Laptop por Criança), fundada por Negroponte, devem trabalhar com parceiros locais e internacionais para oferecer as máquinas.

As máquinas desenvolvidas pelo MIT terão acesso à internet com conexão sem fio e funcionarão em áreas com fornecimento deficiente de eletricidade, através de uma manivela que gera energia.

O primeiro protótipo foi apresentado em novembro do ano passado, na Cúpula Mundial da Sociedade da Informação, na Tunísia. Na ocasião, o Brasil foi um dos maiores entusiastas do projeto.

O governo federal criou um grupo de trabalho, envolvendo ministérios e instituições de pesquisa, para estudar o projeto. De acordo com o coordenador-geral do Laboratório de Sistemas Integráveis (LSI) da USP, João Antonio Zuffo, as conclusões serão entregues no fim deste semestre.

- Há a preocupação de não importar todos os componentes, mas produzir algo aqui, como a carcaça do equipamento, o teclado e alguns elementos eletrônicos. O preço de US$ 100 também exige um mercado elevado, de pelo menos 50 milhões de unidades.

De acordo com o pesquisador do Centro de Pesquisas Renato Archer (CenPRA), Victor Mammana, o projeto de Negroponte ainda não está estruturado a ponto de ter uma adesão efetiva do Brasil. O instituto realiza estudos sobre a tela, que precisa ter apenas sete polegadas.

- A proposta do display é revolucionária porque seria visível sob luz solar em preto e branco, enquanto os displays normais são deficientes nessas condições de luz. Mas temos que verificar se esse tamanho tem usabilidade satisfatória.

Outras questões são os altos custos de manutenção do projeto e a chamada ergonomia antropométrica, que analisa a postura física dos alunos diante da máquina, já que muitas escolas não têm sequer mobiliário adequado.

Para Mammana, a adesão do Brasil é primordial para o projeto, pois é um dos principais países emergentes e tem postura mais aberta em comparação com Índia e China.