Título: Crise do café continua
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Fonte: Jornal do Brasil, 12/01/2006, Internacional, p. A9
Enquanto o governo da Venezuela e a indústria de torrefação de café não chegam a acordo sobre a compra das sacas de grãos verdes (sem moer), pequenos produtores querem uma alternativa e pedem que o Executivo desenhe um plano de compra da produção, a fim de acabar com a escassez.
Caracas ordenou o aumento de 100% do preço da saca, sem que o preço final fosse aumentado. Como resultado, as torrefações passaram a pagar mais pelo grão e perder lucro, recusando-se a continuar comprando a produção. O fato levou o governo Chávez a ordenar o confisco dos estoques (numa versão venezuelana da caça aos bois gordos nos pastos brasileiros, durante o Plano Cruzado, em 1986). Entre dezembro e janeiro, foram contabilizadas cerca de 23 toneladas de café que não puderam passar pela torrefação. As prateleiras dos mercados já não têm mais café e começa a faltar também açúcar.
Gabriel Zambrano, presidente da Associação de Produtores e Cafeicultores ''Argimiro Gabaldón'', quer que a estatal Café -Venezuela se torne a principal receptora da produção retida nos armazéns que a Guarda Nacional tenta encontrar. Segundo Zambrano, existem 54 associações de produtores dispostas a vender para a companhia oficial.
No entanto, o diretor da Fedeagro, Pedro Vicente Pérez, alertou que a Café-Venezuela só tem capacidade para processar 6,2 toneladas de grãos, quando a produção nacional é de cerca de 46 toneladas. Também haveria problemas de comercialização, porque a empresa não tem como cobrir o mercado inteiro.
Ontem, o ministério de Indústrias Leves ainda avaliava a revisão dos preços da embalagem do grão aromático já moído, uma vez que o quintal (saco de 46 kg) também aumentou 100% - de US$ 72 para US$ 133 -, embora o preço final ao consumidor tenha se mantido em US$ 3,4. O presidente, Hugo Chávez, negou a possibilidade de um aumento.