Título: Novo temporal assusta Rio
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Fonte: Jornal do Brasil, 30/01/2006, Rio, p. A13,14

Em meia hora, chuva provocou alagamentos em vários bairros. Número de mortos pela tempestade de sexta subiu para 12

Dois dias depois da tempestade que castigou o Rio sexta-feira, um temporal voltou a cair sobre a cidade no final da tarde de ontem. Meia hora de chuva foi suficiente para alagar as ruas próximas à Lagoa Rodrigo de Freitas e do Centro e as Avenidas Paulo de Frontin, no Rio Comprido, e Brasil. O trânsito ficou lento em diversos pontos. Na Avenida Maracanã, próximo ao Estádio Mário Filho, uma árvore caiu e bloqueou a pista. O Aeroporto Santos Dumont ficou fechado por alguns instantes para pousos e decolagens e parte dos bairros de Tanque, Taquara, Coelho Neto, Barros Filho, Gamboa, Bangu, Praça Seca, Vila Valqueire, Cordovil e Vidigal ficaram sem luz até pelo menos as 21h. Os municípios de Piraí, Miguel Pereira, Pati do Alferes, Niterói e Três Rios também tiveram queda de energia. A Zona Oeste foi a mais atingida pela chuva. Apesar desses transtornos, era a tromba d'água de sexta-feira que ainda marcava os moradores do Rio na tarde de ontem. Na Favela da Grota, na Penha, foi encontrado o corpo de Marçal Portela Filho, 42 anos, elevando para 12 o número de mortos em decorrência da chuva. Na Zona Norte, moradores da Rua Pio XL fecharam a Avenida Itaoca, no Bairro de Higianópolis, com o objetivo de chamar a atenção do poder público para as casas que ficaram destruídas pela inundação. Ainda na Zona Norte, dezenas de ruas continuavam encobertas pela lama, dando muito trabalho aos garis da Comlurb. Na Praia de Copacabana, uma língua negra, na altura da Rua Santa Clara, e gigogas e lixo espalhados na beira do mar, incomodavam os banhistas.

No estacionamento do Penha Shopping, onde seis pessoas morreram sexta-feira, funcionários continuavam o trabalho de escoamento da água e terminavam a limpeza. Dezesseis carros ficaram completamente destruídos.

¿ Quando começou a chover sexta-feira, desci até o estacionamento para ver como estava meu carro. A água já atingia um metro de altura na rua, mas aqui estava tudo seco. Pouco depois, soube da inundação e das pessoas morrendo afogadas. A sensação de impotência é frustrante ¿ contou o lojista Márcio Marcelo Malvezzi, dono de um Astra azul marinho que ficou submerso e amanheceu sob um outro carro estacionado no local.

Muitos funcionários do shopping ainda limpavam as lojas que ficaram com quase um palmo de lama trazida pela chuva. Vanessa Gomes, 22 anos, lembra a noite da tragédia:

¿ A água chegou de uma vez, como uma onda. Pouco depois, a luz foi desligada e começou um forte cheiro de gás. Corri para a Praça de alimentação, no segundo andar.

A maioria dos mortos do temporal de sexta foi enterrada ontem. Segundo comandante da Defesa Civil, coronel José Carlos Mariano, oito moradores da Favela da Grota, na Penha, continuam desalojados ontem.

A previsão para hoje, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), é de tempo nublado com chuvas intermitentes e trovoadas. A temperatura deve oscilar entre 21 e 34 graus.