Título: Pré-candidatura é obstáculo para Lula e Alckmin
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 13/01/2006, País, p. A2

A pré-candidatura de Anthony Garotinho à Presidência da República não é um obstáculo apenas ao projeto de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que ambiciona atrair o PMDB para sua chapa. De acordo com lideranças do PSDB, a escolha do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, como candidato tucano, está condicionada a um ótimo desempenho frente a Garotinho nas pesquisas de intenção de voto. Para ter condições de derrotar Serra na preferência do partido, Ao contrário, o adversário direto no PSDB, prefeito de São Paulo, José Serra, tem ampla vantagem nas pesquisas. Alckmin teria de atingir a mesma condição. O governador tem até o início de março, quando será definido o postulante tucano, para angariar intenções de voto capazes de melhorar sua situação em relação ao presidente da República e a Garotinho, que já está em plena campanha desde o ano passado, apresentado-se ao eleitor como via alternativa ao PSDB e ao PT.

- Serra não tem motivo para temer Garotinho - declara um líder tucano.

Segundo pesquisa Datafolha de dezembro, Serra teria no primeiro turno 36% dos votos, contra 29% de Lula e 10% de Garotinho. No segundo turno, o tucano bateria o petista por 50% a 36%. A situação de Alckmin não é confortável. Ele teria no primeiro turno 22% dos votos. Ficaria oito pontos percentuais atrás de Lula e apenas oito pontos percentuais a mais que Garotinho. A diferença em relação ao pré-candidato do PMDB é uma das justificativas para o favoritismo de Serra dentro do PSDB.

Principal quadro tucano, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso já deixou claro nas conversas internas que não admite derrota em 2006.

- As pesquisas qualitativas serão a chave para a escolha do candidato - afirma um tucano.

Ele acrescenta que as sondagens também podem abater no nascedouro a pré-candidatura de Alckmin caso revelem queda na intenção de voto para o governador diante de eventual recuperação do presidente Lula. Em campanha pública pela vaga de candidato do PSDB ao Planalto desde o início da semana, Alckmin seria o candidato natural do partido quando Lula era considerado ''imbatível'' em 2006, conforme expressão cunhada pelo presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro. Com a crise política, a perda de popularidade do presidente e o crescimento de José Serra, a situação no PSDB, que vive momentos de euforia incontida, ficou indefinida.

O plano inicial dos tucanos era manter seus pré-candidatos viáveis e em harmonia até a escolha de consenso em março. Com o anúncio da desincompatibilização, Alckmin deflagrou-se de vez a disputa interna.

- O importante é que o preterido não chie e trabalhe pela candidatura do PSDB - declara um senador do PSDB.

Segundo tucanos, o status de bom gestor conquistado à frente do estado de São Paulo é um dos principais trunfos de Alckmin.