Título: Deputado do PL encabeça a fila de cassações
Autor: Mariana Santos e Renata Moura
Fonte: Jornal do Brasil, 13/01/2006, País, p. A3

Após a polêmica causada pela manobra do deputado Pedro Corrêa (PP-PE), que alterou a ordem de votações dos processos de cassação de mandato, o Conselho de Ética da Câmara comunicou ontem a Wanderval Santos (PL-SP) o encerramento do seu processo e posicionamento agora como o primeiro lugar da fila dos 11 parlamentares que enfrentarão o plenário. Pela ordem traçada pelo conselho, o processo do deputado do PL deveria ser o segundo da lista dos 11 deputados ameaçados de cassação, depois do de Roberto Brant (PFL-MG), cuja chamada fase de instrução terminou ontem. O fato de Brant encabeçar a fila, entretanto, irritou alguns integrantes do conselho, que trabalham para tentar absolvê-lo no plenário.

Como até o instante em que foi anunciado oficialmente o término do processo de Wanderval nem Brant nem seus advogados haviam sido notificados, haverá uma nova alteração na ordem de votação dos processos.

- O Wanderval foi o primeiro deputado a ser notificado por isso pode ser o primeiro a ter o processo votado - disse o presidente do conselho, Ricardo Izar (PTB-SP).

Os 11 deputados ameaçados de perder o mandato por envolvimento no escândalo do mensalão temem que o primeiro a passar pelo plenário sofrerá os efeitos negativos da absolvição de Romeu Queiroz (PTB-MG), em dezembro.

- De fato há uma preocupação dos deputados em não ser o primeiro porque o plenário vai se vinga - disse Chico Alencar, relator do processo do parlamentar do PL.

Wanderval é acusado de ser beneficiário de R$ 150 mil das contas de Marcos Valério de Souza, apontado como o operador do mensalão. O dinheiro foi sacado por um funcionário do seu gabinete. O deputado argumenta, no entanto, que o fez a mando de Carlos Rodrigues (PL-RJ), que renunciou ao mandato.

- Se fizeram manobra eu não sei. Na minha opinião é um processo fácil, cujo caminho é a absolvição - afirmou o advogado de Wanderval.

Além do término do caso de Wanderval, o deputado Pedro Canedo (PP-GO) também comunicou o encerramento do processo contra Professor Luizinho (PT-SP), que deverá ser o primeiro dos cinco petistas a ser julgado pelo plenário da Câmara.

No entanto, ao anunciar que seu parecer estava pronto, Canedo pediu a Izar que não marcasse data para a leitura. Segundo membros do conselho, Canedo estaria revendo a decisão de poupar Luizinho da cassação e, portanto, dando mais tempo para que o petista buscasse apoio para reverter o resultado.

Foi a segunda alteração consecutiva no calendário programado por Izar, que havia anunciado no início da semana que o processo de Pedro Corrêa seria o primeiro da fila. O cronograma de Izar naufragou devido a uma articulação de Corrêa, que conseguiu remarcar o depoimento de sua última testemunha, atrasando o desfecho do processo.