Título: Ministro descarta antecipar mínimo
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Fonte: Jornal do Brasil, 13/01/2006, Pais, p. A6

O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, indicou ontem que não será possível antecipar o reajuste do salário mínimo dos atuais R$ 300 para R$ 350 do mês de maio para março. Ontem, na Câmara, ao se encontrar com o presidente da Casa, Aldo Rebelo (PC do B-SP), Marinho afirmou que a antecipação do reajuste teria um impacto de R$ 2 bilhões no Orçamento, principalmente devido aos maiores gastos com aposentadorias.

Na quarta-feira, durante reunião com Marinho, os ministros da Secretaria-Geral da Presidência, Luiz Dulci, o da Previdência Nelson Machado e representantes das centrais sindicais concordaram com o salário de R$ 350 desde que o reajuste fosse antecipado de maio para março. Além disso, os sindicalistas cobraram uma correção de 10% para a tabela do Imposto de Renda Pessoa Física, enquanto o governo estuda 7%.

- Nós estamos fazendo todos os cálculos, refazendo tudo, olhando e vendo o impacto que isso dá no Orçamento. Isso impacta em mais de R$ 2 bilhões. Então, me parece não ser possível, mas quem vai tomar essa decisão será o presidente Lula - disse Marinho após o encontro com Aldo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve anunciar sua decisão na próxima quinta-feira, quando será realizada nova reunião envolvendo ministros e sindicalistas.

Marinho também indicou que não será possível corrigir a tabela do imposto de renda em 10% proposta pelos sindicalistas.

- Diria que desse jeito formulado, não é possível. O impacto no Orçamento seria de uma ordem de grandeza impossível de ser incorporada integralmente - explicou Marinho.

As centrais sindicais cobravam inicialmente do governo o reajuste do mínimo para R$ 400 e a correção da tabela do imposto de renda em 13%. Na terça-feira, os sindicatos aceitaram reduzir a reivindicação para R$ 360 e 10%. Na reunião de quarta, cederam novamente e concordaram com os R$ 350. Já o governo, desde o início das negociações, tem estudado um mínimo no valor de R$ 350 e o reajuste da tabela de no máximo 7%.