Título: CPI, outro motivo de apreensão
Autor: Sérgio Pardellas
Fonte: Jornal do Brasil, 30/01/2006, País, p. A3
BRASÍLIA - A CPI dos Bingos, conhecida como a CPI do Fim do Mundo, pelo vasto número de investigações que atingem diretamente o governo, também será motivo de preocupação do presidente Lula. Isto porque o presidente da comissão, senador Efraim Morais (PFL-PB), anunciou que pretende acelerar o ritmo dos trabalhos a partir dos próximos dias. A intenção do parlamentar é aumentar o número de depoimentos e agilizar as apurações para evitar que a CPI chegue ao seu prazo final, estipulado para 25 de abril, sem aprovar o relatório final.
Morais quer evitar que a CPI dos Bingos cometa o mesmo erro de comissões instaladas no passado e que não chegaram a votar o relatório final porque as discussões sobre o documento se prolongaram, não sobrando tempo hábil para a votação.
- Não vejo a possibilidade de o relatório não ser votado. Teremos tempo suficiente para a discussão e a votação das matérias - afirmou Morais, complementando que todas as frentes de investigação da CPI terão conclusões.
A comissão apura os assassinatos do ex-prefeito de Santo André Celso Daniel e do ex-prefeito de Campinas Toninho do PT, em 2002. A suspeita de financiamento de campanhas petistas por Cuba, o papel do presidente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Paulo Okamoto, nas campanhas do PT e sua relação com Lula e a gestão do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, à frente da prefeitura de Ribeirão Preto (SP) são os atuais focos da CPI.
Está agendada para terça-feira a votação do relatório parcial da CPI, que aborda somente o contrato firmado entre a Caixa Econômica Federal e a empresa multinacional de processamento de loterias Gtech. Encerrada essa etapa, a CPI dos Bingos focará totalmente as investigações nos outros fatos.
- Vamos fechar nosso trabalho com depoimentos de donos de bingos - comentou Morais.
O presidente da comissão não quer que o relatório final da CPI seja apenas um documento que contenha sugestões de indiciamentos, apresente conclusões sobre os fatos investigados ou peça o aprofundamento das apurações. Morais pensa em propor a realização de um plebiscito para que se decida se os jogos devem ou não ser regulamentados no Brasil.
A CPI ainda deve agendar a inquirição de Roberto Teixeira, amigo de Lula suspeito de participar de esquema de arrecadação de propina para abastecer os cofres do PT. Os integrantes da comissão aguardam também os dados dos sigilos bancário, fiscal e telefônico do presidente do Sebrae.
- Temos muito o que fazer ainda - afirmou Morais.