Título: Indústria do DF espera resultado pior este ano
Autor: Luciana Navarro
Fonte: Jornal do Brasil, 20/01/2006, Brasília, p. D3
Alta carga tributária é maior preocupação de empresários As expectativas das indústrias do Distrito Federal são pessimistas para o primeiro trimestre deste ano. De acordo com a pesquisa Sondagem Conjuntural da Indústria do DF, o índice de confiança dos empresários na economia ficou em 46,78 pontos em uma escala que varia de 0 a 100. No mesmo período do ano passado, o índice registrado era 55,36. O estudo foi realizado pela Federação das Indústrias do DF (Fibra) em parceria com o Instituto Euvaldo Lodi (IEL). - Tínhamos uma expectativa mais positiva porque este ano temos boas perspectivas para iniciativas que ajudarão Brasília, como a criação da Cidade Digital, a previsão de queda dos juros, a aprovação da Lei da Pequena Empresa e o início das obras no setor Noroeste - analisa o presidente da Fibra, Antônio Rocha.
Conforme o estudo, a tributação é o que mais preocupa as empresas do DF. Entre os 163 entrevistados, 91,72% disseram que esse quesito é motivo de preocupação. A crise política foi apontada por 84,2% dos empresários como outra razão de inquietação do setor. A falta de demanda aparece logo em seguida, apontada por 78,53% dos entrevistados. A inadimplência dos clientes foi apresentada por 66,41% dos empresários.
Os fatores menos preocupantes são as compras governamentais, apontadas por 44,79% deles, e a taxa de câmbio, citada por 44,94%.
- A carga tributária do País é muito alta. É preciso haver uma reforma, mas com a intenção de diminuir a carga tributária para que mais empresas entrem no mercado formal e, com isso, aumentar a arrecadação - afirma Rocha.
Para o presidente da Fibra, o pagamento de impostos como IPVA e IPTU e das matrículas escolares prejudica as vendas do comércio e, conseqüentemente, diminui a produção nas indústrias.
- Além disso, há um esvaziamento da cidade nestes primeiros meses do ano, o que provoca a redução das vendas e da produção - completa Rocha.
Pessimismo - Os empresários demonstram pessimismo em relação ao faturamento das indústrias. O indicador que mede a evolução do faturamento do setor para o primeiro semestre ficou em 48,01 pontos. No mesmo período de 2005, o número era de 53,04. No quarto trimestre do mesmo ano, esse valor era de 50,86 pontos.
- No ano passado o pessimismo foi menor. Este ano, dentro das perspectivas que existem, as expectativas deveriam ser mais positivas - avalia Rocha.
Pelo menos em relação aos investimentos, as expectativas são mais otimistas. Das 163 empresas ouvidas pela pesquisa, 33,13% devem realizar algum investimento no primeiro semestre deste ano. No quatro trimestre de 2005, 17,65% das indústrias disseram que pretendiam investir.
- Temos a expectativa diante de projetos que devem trazer bons investimentos para a cidade como, por exemplo, a Cidade Digital. Esperamos apenas que seja aprovado pela Câmara [dos Deputados]- afirma Rocha.
Segundo o presidente da Fibra, além da Cidade Digital os empresários apostam no crescimento industrial no Pólo JK com a instalação das fábricas de fármacos. Rocha aponta também as exportações como bom caminho para o crescimento do DF. Em 2005, as exportações da região cresceram 103% em relação a 2004 e atingiram 59 milhões de dólares.
Além disso, Rocha aposta no crescimento da venda de bebidas e da produção de mercadorias voltadas para a Copa do Mundo como camisetas e biquínis.