Título: Rivais pagam menos
Autor: Rafael Rosas
Fonte: Jornal do Brasil, 20/01/2006, Economia e Negócios, p. A18

Emergentes têm carga tributária bem inferior Gilberto Luiz do Amaral, presidente do IBPT, lembra que a elevada carga tributária afasta investimentos importantes e contribui para o ''pífio'' resultado do PIB em 2005, que deve ficar ao redor de 2,5% de crescimento. Segundo Amaral, a relação tributos/PIB de 2004, de 36,8%, foi a mais alta do mundo entre emergentes, apesar das promessas de integrantes do governo de reduzi-la.

De acordo com o IBPT, a Coréia do Sul é a mais próxima, com 25% de carga tributária em relação ao PIB, seguida por Argentina, com 21%, México, com 18,5%, Chile, com 18%, e Índia e China, com 16%.

- A elevada carga tributária impede que o Brasil brigue com os players emergentes - critica.

Apesar do pessimismo dos analistas a respeito do crescimento econômico do país, o secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, frisa que o avanço da economia contribuiu no aumento da arrecadação.

Além disso, Rachid cita a maior eficiência na arrecadação como outro fator importante para o recorde de 2005.

- Isso reflete um trabalho feito ao longo de 2005, criando mecanismos para evitar a sonegação - diz.

Este é um dos pontos defendidos por Istvan Kasnar, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV-RJ), para quem a eficiência no combate à sonegação é um dos principais estímulos aos seguidos recordes obtidos pela Receita.

- A malha fina hoje é infinitamente mais eficiente que há 20 anos - afirma.

Segundo Rachid, um dos dados técnicos que reforçam o argumento de que o aumento da receita com tributos no ano passado foi causado pelo crescimento econômico é a elevação da arrecadação de Imposto sobre Produtos Industrializados, na rubrica chamada ''IPI outros'', na qual estão contabilizadas as receitas desse imposto sobre bens de capital - como máquinas usadas na indústria. O crescimento entre 2004 e 2005 foi de 13,57%, descontada a inflação. Em 2004, esse imposto arrecadou R$ 11,418 bilhões e, em 2005, R$ 12,968 bi.

Além do crescimento dos valores recolhidos, a Receita Federal informou que houve arrecadação atípica em janeiro, novembro e dezembro, devido ao pagamento de débitos em atraso no valor de R$ 378 milhões.

O Imposto de Renda de Pessoas Jurídicas e a CSLL tiveram aumento de arrecadação de 22,47% e 20,6%, respectivamente. Os setores que mais se destacaram, segundo a Receita, foram combustíveis, telecomunicações, mineração, eletricidade e metalurgia.

Com agências