Título: Energia R$ 190 milhões mais cara
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 13/01/2006, Economia & Negócios, p. A19
A energia ficará R$ 190 milhões mais cara para o país, entre 2008 e 2010, por causa da decisão da Justiça de excluir duas usinas hidrelétricas do leilão de novos empreendimentos energéticos ocorrido no último dia 16 de dezembro. O cálculo, divulgado ontem pelo diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Jerson Kelman, levou em consideração o valor mais caro da energia contratada para substituir a carga prevista originalmente para as hidrelétricas. Gerada a partir de usinas a gás natural, óleos combustível e diesel e bagaço de cana, a energia térmica terá um peso maior tanto para os consumidores industriais, quanto os comerciais e residenciais.
Quase um mês depois do leilão de novos empreendimentos energéticos, tornam-se cada vez mais claros, segundo analistas, os sinais de que o país pagará caro para não sofrer um novo racionamento de energia entre 2008 e 2010. No início da semana, o JB divulgou um estudo do senador Rodolpho Tourinho (PFL-BA), que projetou impacto de US$ 1 bilhão com a energia a ser gerada pelas usinas termelétricas, caso utilizem óleos diesel e combustível em sua operação.
Por decisão da Justiça, proferida às vésperas do último leilão, ficaram de fora da disputa as usinas hidrelétricas de Dardanelos (261 MW), no Mato Grosso, e Mauá (361 MW) no Paraná. A decisão, lembrou Kelman, contribuiu para reduzir a oferta de energia hidrelétrica de cerca de 2,8 mil MW para cerca de 800 MW. Ao todo, foram contratados 3.286 MW médios, no leilão, para fornecimento a partir de 2008, 2009 e 2010.
Pelos cálculos de Kelman, só a troca da energia de Mauá por térmicas agregará um custo adicional de R$ 108 milhões ao sistema. Já a de Dardanelos resultará em acréscimo de R$ 82 milhões aos consumidores. Embora tenha defendido a necessidade de diversificar a matriz energética brasileira, com a incorporação de novas fontes de energia - como a térmica -, o executivo salientou que, do ponto de vista do impacto ambiental, não faria sentido substituir os empreendimentos hidrelétricos pelos de óleo combustível.
Crítico ao que chama de radicalismo ambiental, Kelman pondera que ambientalistas mais sectários, quando questionam os impactos das hidrelétricas, muitas vezes deixam de levar em conta custos ecológicos do óleo, produto altamente poluidor.
- É preciso se escolher o menos pior para o meio ambiente - diz Kelman, ao acrescentar que a análise dos impactos não pode se limitar aos aspectos locais dos projetos, mas também aos econômicos.
No estudo, Tourinho - ex-ministro de Minas e Energia no governo FH - projeta um custo de US$ 1 bilhão ao sistema interligado nacional, caso as termelétricas tenham realmente que operar a óleo combustível. Tal hipótese só vingará caso o governo, via Petrobras, não consiga garantir o gás natural necessário para a operação dessas usinas.
Com agências