Título: A última batalha por votos
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Fonte: Jornal do Brasil, 14/01/2006, Internacional, p. A8
Na reta final da campanha para o segundo turno das eleições presidenciais no Chile, que ocorrem amanhã, os candidatos Michelle Bachelet e Sebastián Piñera se concentraram em conquistar os votos da capital, Santiago, das mulheres e das regiões não-metropolitanas. A direitista Alianza, de Piñera, conseguiu obter a maioria dos votos de centro, apelando para os valores da democracia-cristã promovidos por Joaquin Lavín, derrotado no primeiro turno. A Concertación, de Michelle, ganhou o apoio da direção do Partido Comunista, que chamou seus militantes, eleitores de Tomás Hirsch em dezembro, a apoiá-la.
Apesar da vantagem de 5% Michelle na mais recente pesquisa de intenção de voto, nenhum dos dois candidatos finais perdeu o vigor de campanha, lembrando que no pleito de 2000 o voto dos derrotados no primeiro turno foi crucial no resultado do segundo. Na época, a vitória de Ricardo Lagos sobre Lavín deu-se por apenas 2,7% de diferença.
Nos últimos dias, o comando da oposição concentrou-se em acentuar a presença de Piñera nas regiões não-metropolitanas, pois o forte de sua votação em dezembro esteve fora de Santiago.
- Por isso fechamos os trabalhos em Valparaíso. Fizemos o contrário da Concertación pois queremos uma regionalização de verdade - confirmou o secretário-geral do Renovação Nacional (RN), Cristián Monckeberg.
Mesmo assim, outros dentro do partido trabalharam para obter mais votos na capital.
- Temos que ganhar em todos os setores. Obviamente temos certas debilidades, como o voto feminino. Mas esta também está crescendo - disse Monckeberg.
Este eleitorado ficou divido no primeiro turno entre o conservadorismo de Lavín e as idéias socialistas de Michelle. Mas não era só nas mulheres que votaram no ex-prefeito de Santiago que a RN esteve interessada.
- Trabalhamos para alcançar toda da votação de Lavín e passá-la para Piñera - garantiu Monckeberg.
O diretor do comitê da Concertación, Jaime Mulet, admite que a maioria dos sufrágios de Lavín vão para Piñera, mas não é um apoio tão maciço, sustenta:
- A direita não vai conseguir mais de 70% dos votos de Lavín. Há uma grande porcentagem de gente que votou nele e vai escolher Michelle agora.
Animado, Mulet garantiu que a socialista vai derrotar Piñera com uma diferença de 5% dos sufrágios.
- Michelle vai ganhar dele em todos os extratos eleitorais - aposta. - Será triunfante em Santiago, nas regiões, entre mulheres e homens.
Mais cautelosa que seus aliados, Michelle preferiu não emitir opinião sobre Piñera, que na semana passada subiu o tom da campanha ao acusar Lagos de promover a candidatura de sua ex-ministra da Defesa.
- Vou falar só depois de amanhã à noite. Sou uma pessoa que jamais sucumbiu a desmoralizações. Aspiro a uma política diferente - disse, em entrevista ontem à emissora de rádio El Conquistador, respondendo a críticas do adversário de que seria incapaz de governar o Chile. - São atitudes tremendamente machistas, mais do que ofensivas. Não me ofendo com esse tipo de coisa, sei que são estratégias eleitorais.
A campanha terminou oficialmente no primeiro minuto de ontem. Pela manhã, as cidades já estavam sob os cuidados das Forças Armadas, como estabelece a lei eleitoral.