Título: Gasoduto sai do papel
Autor: Lorenna Rodrigues
Fonte: Jornal do Brasil, 20/01/2006, País, p. A4
Acordo é fechado entre Venezuela, Brasil e Argentina
BRASÍLIA - O projeto de construção de um gasoduto ligando Venezuela, Brasil e Argentina ficará pronto em julho. Em reunião em Brasília, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, Néstor Kirchner, da Argentina, e Hugo Chávez, da Venezuela, estabeleceram que em meados deste ano os estudos de viabilidade do projeto deverão ser apresentados.
- Acordamos que no mês de julho o projeto deve estar bastante avançado para que possamos apresentá-lo para o mundo - afirmou Chávez. Os três presidentes se reunirão novamente no dia 10 de março, em Mendonza (Argentina) para continuar as discussões sobre o gasoduto.
O tema ocupou grande parte da reunião. Pelo projeto do gasoduto, será construída uma rede partindo de Caracas, passando pelo Brasil e terminando em Buenos Aires, totalizando 10 mil quilômetros. O custo estimado do projeto é de até US$ 25 bilhões e o tempo de construção, seis anos.
- O gasoduto é um grande projeto para toda a América do Sul. Queremos complementá-lo com a integração de outros países e com projetos de desenvolvimento para as áreas pelas quais a rede irá passar - acrescentou.
Chávez voltou a defender a entrada da Bolívia no Mercosul, apesar de o presidente eleito boliviano, Evo Morales, afirmar que o país ainda analisará a opção.
Segundo Amorim, os três presidentes discutiram ainda o fortalecimento do Mercosul e um maior apoio aos países mais pobres.
Chávez deixou a reunião empolgado, não só com a interconexão gasífera da América do Sul, mas com planos de estender a integração para as áreas financeira, educacional e até bélica.
- Trouxe a proposta, por exemplo, da implementação do Banco do Sul, e Lula e Kirchner estão de acordo. Iremos trabalhar com duas opções, uma em que a Corporação Andina de Fomento, cuja sede está em Caracas, seja transformada no Banco do Sul. A outra, é de criarmos algo totalmente novo, mas que haverá o banco é certo - assegura.
Para viabilizá-lo, Chávez sugeriu que parte das reservas internacionais dos três países migrem para o novo banco.
- Brasil, Venezuela e Argentina têm hoje suas reservas depositadas nos bancos do norte, na Europa e nos Estados Unidos. A Argentina deve ter hoje 15 bilhões de dólares, o Brasil, 50 bilhões e a Venezuela 30 bilhões. Poderemos utilizar metade desse dinheiro para criar o nosso banco do sul. Com isso, poderemos, por exemplo, ajudar países da América do Sul em crise - explicou.
Amorim frisou que não houve uma discussão técnica sobre o assunto.
- Existe uma receptividade à idéia mas a dificuldade é como fazer isso. Ainda teremos muita discussão para decidir a melhor maneira de chegar lá - afirmou o chanceler.
Chávez defendeu ainda a integração das indústrias bélicas na América do Sul.
- Sabemos como Brasil e Argentina estão avançados na questão bélica. Propus a integração da produção de armamento para perfilar nossa estratégia defensiva - apontou.