Título: PV afasta Alessandro Calazans
Autor: Marco Antônio Martins
Fonte: Jornal do Brasil, 19/11/2004, País, p. A-2

A direção nacional do Partido Verde (PV) decidiu, no início da madrugada de ontem, pedir o afastamento do deputado estadual Alessandro Calazans dos quadros da legenda. A coordenação estadual, até então ocupada por Calazans, voltará às mãos do secretário municipal de Urbanismo, Alfredo Sirkis. Os motivos do afastamento foram as suspeitas de prática de extorsão na CPI da Loterj e pressões junto à Feema, além do apoio a candidatos a prefeitos em vários municípios.

Alessandro Calazans não quis comentar o assunto. Por intermédio de sua assessoria, informou que já havia pedido seu afastamento há dois dias. A idéia era não constranger o partido por causa das denúncias que vêm sendo feitas contra ele. Calazans tem agora até 9 de dezembro para se defender junto ao partido.

A executiva do PV já havia marcado a reunião há mais de seis meses para analisar a conduta política de Calazans durante a campanha eleitoral deste ano. O deputado apoiou o candidato do PL à Prefeitura do Rio, o senador Marcelo Crivella, quando a orientação nacional era apoiar o prefeito reeleito Cesar Maia (PFL).

Além disso, o PV definiu que fará uma espécie de ''pente-fino'' nos projetos aprovados por Calazans na Assembléia Legislativa do Rio (Alerj). O partido quer saber quantos projetos da governadora Rosinha Matheus foram apoiados pelo deputado. A legenda decidiu que fará oposição à administração de Rosinha.

- O PV estava descaracterizado no Rio a ponto de se tornar irreconhecível. Vamos iniciar um processo de reconstrução - defende Alfredo Sirkis.

De acordo com alguns militantes do partido, o PV vive hoje, no Rio, uma briga entre dois grupos: os chamados ''orgânicos'', formado por lideranças antigas do PV e os ''transgênicos'', ligados ao ex-governador Anthony Garotinho. A idéia do grupo da direção nacional que coordenou o afastamento de Calazans é reformular o partido em algumas cidades da Baixada Fluminense e no interior do estado. Uma delas seria Nova Iguaçu, onde o prefeito Mario Marques recebeu apoio de Alessandro Calazans.

De acordo com fitas gravadas, o deputado estadual ainda é suspeito de praticar extorsão na CPI da Loterj, presidida por ele. A Alerj recebe hoje laudo informando se a voz de Calazans aparece nas gravações.