Título: Cavaco Silva é o novo presidente
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Fonte: Jornal do Brasil, 23/01/2006, Internacional, p. A12
Ex-premier de centro-direita é eleito em primeiro turno, com 56% dos votos. Abstenção chega a 40%
LISBOA - O candidato de centro-direita Aníbal Cavaco Silva venceu as eleições presidenciais realizadas ontem em Portugal. Apurados mais da metade dos votos, obtinha 56,01%. Se este resultado se confirmar, não haverá segundo turno, previsto para 12 de fevereiro.
As pesquisas de boca-de-urna também davam a vitória a Cavaco Silva, de 66 anos. De acordo com o canal de televisão independente SIC, o ex-primeiro-ministro obteve entre 50,4% e 54,6% das preferências e, segundo a rede pública RTP1, 56,1%. Já o também privado canal TVI deu a Cavaco Silva uma vantagem de 50% a 54,8% dos votos.
Cavaco Silva era primeiro-ministro quando Portugal se integrou, em 1996, à Comunidade Econômica Européia (futura União Européia) e se beneficiou dos fundos comunitários que contribuíram para a sensível melhora das condições de vida do país.
Embora o presidente da República tenha poderes executivos limitados, Cavaco Silva garantiu, ao longo da campanha, que desta eleição dependerá ''o futuro do país para cinco, dez ou 15 anos'' e prometeu aos eleitores ''fazer de seus sonhos uma realidade''. E foi acusado pelos adversários de ''querer se intrometer'' nas decisões do primeiro-ministro.
Com este resultado, os portugueses mostraram que acreditam que este professor de Economia poderá tirar o país da crise em que se encontra.
O primeiro boletim foi anunciado após o fechamento das zonas eleitorais do arquipélago de Açores, às 18h (em Brasília), uma hora depois de Portugal e Ilha Madeira.
Cerca de 48% dos nove milhões de eleitores inscritos foram votar à tarde, segundo o porta-voz da Comissão Nacional Eleitoral (CNE), Nuno Godinho de Matos, acrescentando que a taxa de participação deve ficar entre 60% e 70%. Até o meio-dia, apenas 20% dos eleitores tinham comparecido às urnas.
De acordo com as últimas análises, 40% dos eleitores declararam não ter a intenção de participar da votação, já que as pesquisas davam Cavaco Silva como vencedor. As sondagens também indicavam que os indecisos e os que decidiram não comparecer às urnas estavam no campo da esquerda.
Dois candidatos do Partido Socialista (da situação) enfrentaram Cavaco Silva. Foram eles o poeta Manuel Alegre, de 69 anos, deputado e vice-presidente da Assembléia Nacional, mas que não contou com o apoio de seu partido; e Mário Soares, de 81, ''pai da democracia'' portuguesa, várias vezes ministro e presidente de 1986 a 1996. As sondagens davam a Alegre entre 16,2% a 20,6% dos votos enquanto Soares orbitava entre 12,4% e 16,9%.
Também participaram das eleições o secretário-geral do Partido Comunista, Jerônimo de Sousa, de 66 anos, o dirigente do Bloco de Esquerda (BE), Francisco Louça, de 49, que podem ter pelo menos 6% das intenções de voto cada um, e o representante do Partido Comunista dos Trabalhadores (PCTP), Antonio Garcia Pereira, que espera cerca de 1% dos votos.
Os candidatos socialistas, comunistas e da esquerda alternativa pediram aos eleitores que fossem em massa às urnas, na esperança de conseguir um segundo turno, o que configuraria uma clássica disputa entre direita e esquerda.
Depois de votar em uma seção eleitoral de Lisboa pela manhã, Cavaco Silva se recusou a fazer previsões, limitando-se a responder à imprensa que ''esperava com serenidade'' o veredicto dos eleitores.