Título: Eleição renova congresso boliviano
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Fonte: Jornal do Brasil, 17/01/2006, Internacional, p. A8
A segunda-feira foi movimentada no Parlamento boliviano, com a diplomação dos parlamentares eleitos no último pleito no auditório do Banco Central, na capital. A principal característica da casa no novo mandato deverá ser a renovação, já que apenas 17 dos 157 parlamentares da legislatura anterior conseguiram manter seus mandatos.
A chegada de novas caras na política também é marcada por uma distribuição geográfica diferente para o congresso. Vitorioso, o Movimento ao Socialismo (MAS), partido do presidente Evo Morales, assegura que sua bancada abrange quase 80% do país. A nova oposição, representada pelo candidato derrotado, Jorge Quiroga, tem número semelhante.
- Quase 75% dos 56 nomes que elegemos nunca havia atuado no legislativo em qualquer instância - afirmou Quiroga à imprensa local durante, justamente, um seminário de capacitação no regimento interno do Parlamento.
Para o presidente eleito, Evo Morales, o dia também foi de diplomação. Recém-chegado de uma viagem à Europa, o líder cocalero aproveitou para cumprimentar a socialista Michelle Bachelet pela vitória no Chile e a convidou para vir à posse, no domingo, junto com o presidente Ricardo Lagos. Bolívia e Chile têm um longo histórico de estremecimentos em função da disposição de La Paz em recuperar a saída para o mar, perdida em uma guerra há mais de 150 anos. Por conta disso, as relações diplomáticas entre os dois países estão rompidas desde 1978.
- A presença aqui dois governantes chilenos marcaria um momento histórico para iniciar o diálogo sobre temas históricos, econômicos e comerciais - afirmou Morales.
Até hoje, nenhum presidente chileno havia acompanhado uma posse presidencial na Bolívia, e Morales já fez vários convites públicos a Lagos para que visite La Paz. O futuro presidente da Bolívia disse que telefonou ''por uma questão de respeito'' domingo para Bachelet, para cumprimentá-la. Lagos teria sido procurado ontem. Evo Morales não disse qual teria sido a resposta de ambos.
O boliviano estará hoje na Argentina, para conversar com o presidente Néstor Kirchner sobre gás natural. Morales também anunciou que está interessado em reunir-se com representantes do governo dos Estados Unidos, para implementar ''relações de mútuo respeito''.