Título: China no centro do palco em Davos
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Fonte: Jornal do Brasil, 23/01/2006, Economia & Negócios, p. A19

Crescimento do país asiático será o principal tema do Fórum Econômico Mundial, que começa quarta-feira na Suíça

Começa na próxima quarta-feira, na cidade suíça de Davos, o Fórum Econômico Mundial, que reunirá até domingo pelo menos 15 chefes de estado ou de governo, cerca de 60 ministros e mais de 2.300 representantes da nata da economia e da política mundial. Este ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não estará presente ao evento, que terá como principal atração a chanceler alemã, Angela Merkel.

Os debates vão girar principalmente em torno das duas principais potências entre os emergentes: China e Índia. Segundo o fundador do Fórum, Klaus Schwab, os dois países estão provocando ''um deslocamento do centro de gravidade do oeste para o leste''.

Já confirmaram presença no evento o vice-primeiro-ministro chinês, Zeng Peiyan, responsável pelo plano qüinqüenal da economia do país, e o chefe do banco central da nação asiática, Zhu Xiaochuan.

A atual crise sobre o desenvolvimento nuclear do Irã também estará na pauta do Fórum, que tem como convidados o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea), Mohamed El Baradei e o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan.

Este ano, os organizadores do evento também colocaram em pauta o desenvolvimento das negociações da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC). Haverá uma série de reuniões com o intuito de reduzir os impasses sobre acesso de produtos agrícolas nos países desenvolvidos.

Entre as estrelas que também baterão ponto na estação de esqui suíça estão os empresários Bill Gates e Michael Dell e os artistas Bono Vox, Peter Gabriel e Angelina Jolie, além, é claro, de Pelé.

O rei do futebol estará ao lado dos ministros Celso Amorim (Relações Exteriores), Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento) e Gilberto Gil (Cultura), e, de certa forma, foi ''convocado'' para o lugar do presidente Lula, que não irá à Suíça este ano.

Mas Lula também não estará em outro evento do qual já foi entusiasta. Por problemas de agenda, o presidente não poderá assistir ao Fórum Social Mundial (FSM), que deixa Porto Alegre para aterrissar em Caracas. Na capital venezuelana, um dos pontos fundamentais do encontro, que segundo os organizadores contará com mais de 120 mil participantes, será ''o avanço da esquerda latino-americana frente ao imperialismo dos Estados Unidos''.

Um dos encarregados pelo FSM, Ernesto Mercado, diz que o fato de acontecer na Venezuela do presidente Hugo Chávez não transformará o Fórum em um evento chavista.

Além de Chávez, o FSM contará também com a participação de Fidel Castro e do recém eleito presidente da Bolívia, Evo Morales.

Mas este ano o FSM sul-americano tem concorrência. TErmina hoje, em Bamako, no Mali, outro Fórum Social Mundial.

- Isto evita a captação do fórum pelos latino-americanos - afirma o italiano Riccardo Petrella, um dos líderes do FSM de Bamako.

- Não há uma antiglobalização africana, mas cada continente deve beber nas fontes de sua história, da sua memória - diz Aminata Taoré, escritora e ex-ministra da Cultura do Mali.