Título: Dívida interna atingirá R$ 1,2 tri
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Fonte: Jornal do Brasil, 17/01/2006, Economia & Negócios, p. A22

A dívida interna do governo federal em títulos públicos deve atingir entre R$ 1,130 trilhão e R$ 1,2 trilhão ao final deste ano, segundo o Plano Anual de Financiamento divulgado ontem pelo Tesouro Nacional. Ao fim de dezembro do ano passado, a dívida alcançava R$ 979,7 bilhões. Ou seja, o governo admitiu que o passivo crescerá até 22% este ano.

O secretário do Tesouro, Joaquim Levy, disse que o governo permanecerá com a estratégia de redução dos títulos atrelados ao câmbio e à taxa de juros ao longo de 2006.

De acordo com o plano, a parcela da dívida atrelada ao câmbio, que fechou em 2,7% do total em 2005, pode cair para até 1% neste ano. No auge da crise provocada pela expectativa de eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002, papéis cambiais representavam mais de 40% da dívida pública. Já no ano passado, quando o Banco Central manteve elevada a taxa de juros, a dívida pós-fixada, cuja remuneração tem como base a evolução dos juros, se manteve em patamar superior a 50%.

Em 2005, o estoque da dívida avançou 18% - de R$ 826,7 bilhões em janeiro para R$ 979,7 bi em dezembro - devido à trajetória de alta da taxa básica de juros.

No caso dos títulos atrelados à Selic, até dezembro a participação desses papéis deve cair dos atuais 51,8% para até 39% do total.

A preocupação do Tesouro em reduzir a dívida representada pelos títulos cambiais e pela taxa de juros se deve ao fato de que a remuneração de tais papéis é menos previsível do que a paga por papéis prefixados, por exemplo. Elevando a emissão de papéis prefixados, o governo reduz a exposição ao risco da alta dos juros ou de uma desvalorização cambial.

Em crises financeiras já enfrentadas pelo Brasil, o dólar disparou e obrigou o Banco Central a elevar os juros, aumentando os gastos do governo com a dívida.

Levy também considera importante o governo alongar o vencimento dos títulos em circulação no mercado, com o resgate antecipado de papéis de curto prazo. O Tesouro espera elevar o prazo médio de resgate de 27,4 meses para entre 30 e 35 meses.

Folhapress