O Globo, n. 32.299, 11/01/2022. Política, p. 5

Moraes prorroga inquérito sobre milícias digitais
Mariana Muniz


O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes decidiu no último dia 5 prorrogar, por 90 dias, o inquérito que investiga a atuação de supostas milícias digitais que teriam atuado contra a democracia e o estado democrático de direito.

“(...) Considerando a necessidade de prosseguimento das investigações e a existência de diligências em andamento, nos termos previstos no art. 10 do Código de Processo Penal, prorrogo por mais 90 (noventa) dias, a partir do encerramento do prazo final anterior (6 de janeiro de 2022), o presente inquérito”, escreveu o ministro, que é relator do caso, no despacho que foi publicado na última sexta-feira.

A investigação está a cargo da Polícia Federal. Foi no âmbito deste inquérito que a PF intimou o ideólogo de direita Olavo de Carvalho para prestar depoimento, mas ele não compareceu, conforme revelado pelo GLOBO. A defesa alegou que ele estava com problemas de saúde e não poderia ser interrogado.

Outra investigação

O inquérito sobre as milícias digitais foi aberto por determinação de Moraes, após provas colhidas pela Polícia Federal sobre a articulação de grupos bolsonaristas nas redes sociais com ataques às instituições democráticas. Essa investigação levou à prisão do ex-presidente do PTB e ex-deputado federal Roberto Jefferson, em agosto do ano passado. O blogueiro bolsonarista Allan dos Santos, que está foragido nos Estados Unidos, também é alvo deste inquérito.

Na sexta-feira, o ministro do STF já havia determinado a prorrogação de outro inquérito que tem relação com Jair Bolsonaro: as investigações sobre supostas interferências do presidente na Polícia Federal. Prorrogada pela quinta vez, a apuração sobre a ingerência na PF foi aberta após denúncia do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro.

Em depoimento, Bolsonaro admitiu que pediu a Moro para trocar o então diretor da PF, Maurício Valeixo, e dois superintendentes do órgão, mas negou que os pedidos configurem interferência política.