Título: Entrevista / Maurício Azêdo
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 18/01/2006, País, p. A6
O presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Maurício Azêdo, criticou a morosidade da Justiça no caso do jornalista Pimenta Neves, ex-diretor de Redação de O Estado de S. Paulo e assassino confesso da também jornalista Sandra Gomide, em agosto de 2000. À época, ela era editora de Economia do jornal e rompera, dias antes, o relacionamento que tinha com Pimenta Neves. O jornalista ainda não foi julgado e está em liberdade em São Paulo. Para Azêdo, o crime foi bárbaro e teve motivo torpe. Ele ressalta a importância da imprensa para não deixar que o assassinato, que aconteceu há quase seis anos, não caia no esquecimento. O jornalista critica duramente o que chama de ''lerdeza'' da Justiça e compara o caso à morte do repórter Tim Lopes. Os acusados já foram condenados e estão presos.
- O que o senhor acha de Pimenta Neves estar à solta, sem ter sido julgado?
- Essa situação traduz deficiência da legislação penal, que favorece os autores de crimes graves sem que sejam submetidos ao Poder Judiciário. Isso permite que criminosos que agiram com motivo torpe e com barbárie, como o Pimenta Neves, continuem soltos e não sejam julgados.
- Como a ABI tem se mobilizado em favor da família da vítima, a também jornalista Sandra Gomide?
- Nós só podemos manifestar repúdio ao assassinato. O que fazemos é manifestar a exigência de que o caso seja julgado e a Justiça saia de sua lerdeza. No caso do jornalista Tim Lopes, que ocorreu dois anos após o de Pimenta Neves, em 2002, todos os acusados já foram condenados.
- Qual deve ser o papel da imprensa para que o caso não seja esquecido?
- Levantar casos como esse e cobrar uma solução.