Título: Processos judiciais em família
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 18/01/2006, País, p. A6

Ex-candidata do PT ao governo de Goiás, Marina Pignataro Sant'Anna responde a duas ações civis públicas por improbidade administrativa. Os processos podem causar a suspensão de seus direitos políticos por até oito anos. Ela é irmã do ex-editor-chefe de O Estado de S. Paulo, Lourival Sant'Anna, que está sendo investigado por falsificação de dossiê ao lado de seu ex-chefe, o assassino confesso Antônio Marcos Pimenta Neves. Lourival procura manter discrição junto aos colegas e chefes sobre o parentesco com a petista, vereadora em Goiânia.

Marina é aliada do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, apontado como um dos operadores do mensalão. Na disputa pelo governo de Goiás, em 2002, teve como coordenador financeiro Adhemar Palocci, irmão do ministro da Fazenda, Antonio Palocci.

Como presidente do partido em Goiás, Marina fez de Delúbio como seu ''interlocutor'' com o Planalto, em 2004.

- Não é possível que se levante uma suspeita contra um dirigente partidário, sem que se reconheça seu trabalho em prol do partido - disse Marina ao jornal O Popular, o maior do estado, quando Delúbio foi acusado de intermediar liberação de verbas no total de R$ 250 mil para a Santa Casa de Buriti Alegre, cidade natal do parceiro de Marcos Valério.

O irmão Lourival Sant'Anna viajou para a África na comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao lado de Delúbio, em 2003. Foi nessa viagem que Lula disse que a capital da Namíbia era tão limpa que nem parecia ficar numa cidade africana.

Quando secretária de Comunicação do prefeito Pedro Wilson (PT), em 2001, Marina Sant'Anna foi investigada pelo Ministério Público goiano. Ela é acusada, ao lado do prefeito, de superfaturar ''serviços de gravação de todos os telejornais locais, edição e cópia em fita VHS, identificando todas as matérias que, direta ou indiretamente, digam respeito à Prefeitura de Goiânia'', o que o Ministério Público chama de 'clipagem'.

''No cotejo dos contratos dos anos de 1997, 1999, 2000 e 2002 com os contratos dos anos de 1998 e 2001, verifica-se que, nos primeiros, os preços contratados variaram entre R$ 2,5 mil e R$ 7,5 mil mensais; ao passo que os preços contratados nos dois últimos anos referidos (1998 e 2001) foram, respectivamente, de R$ 12 mil e R$ 15 mil mensais'', informa o MP.

Segundo a promotoria, os acusados ''devem responder pela postura nada zelosa no uso do dinheiro público''. O MP solicita seu enquadramento na ''prática de atos dolosos, causadores de dano às finanças municipais, seja por dolo direto, seja por dolo eventual''.

A ação número 200301807951, sustenta que Marina Sant'Anna e o prefeito Pedro Wilson, além de Ricardo Antônio Dias Baptista, procurador-geral do município, ''anuíram de forma livre e consciente para a produção do resultado danoso ao erário''. O julgamento está marcado para 7 de março.

- Caso o juiz acolha o pedido, deve aplicar sanções como ressarcimento integral do dano, perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio, suspensão dos direitos políticos por até oito anos, pagamento de multa de até duas vezes o valor do dano - disse o promotor Umberto Machado.

Em outro procedimento, Marina responde por improbidade administrativa por veicular propaganda político-partidária em material de divulgação do ''Orçamento Participativo'', com ''verbas públicas para matérias alheias ao interesse público''.