Correio Braziliense, n. 22578, 11/01/2025. Política, p. 3
Fim de programas de inclusão
A Meta anunciou, ontem, o cancelamento de seus programas de diversidade, inclusão e equidade (DEI), marcando mais uma grande mudança em sua estratégia alinhada politicamente com prioridades conservadoras.
Em um memorando enviado aos funcionários, a empresa informou sobre a eliminação de sua abordagem de contratação baseada na diversidade e a dissolução de sua equipe dedicada às políticas de DEI.
Essas mudanças ocorrem em meio ao que a Meta descreveu como “um cenário jurídico e político em transformação”, após decisões recentes da Suprema Corte dos Estados Unidos que restringiram programas voltados ao aumento da diversidade em universidades.
O memorando, relatado pelo site Axios, chega após a Meta revisar abruptamente suas políticas de moderação de conteúdo, incluindo o encerramento de seu programa de verificação, em um forte alinhamento com as prioridades da agenda da futura administração de Donald Trump.
Como argumento para sua decisão drástica, o fundador do Meta, Mark Zuckerberg, afirmou que os verificadores de fatos “estão muito politizados e contribuíram para reduzir a confiança em vez de melhorá-la, especialmente nos Estados Unidos”.
O anúncio reflete críticas de longa data do Partido Republicano e do proprietário da plataforma X, Elon Musk, em relação à moderação e verificação de conteúdos, incluindo discursos de ódio em redes sociais.
Zuckerberg, por sua vez, tem buscado recentemente uma reconciliação com Trump, desde sua eleição em novembro, incluindo uma doação de um milhão de dólares para o fundo de posse do presidente norte-americano — no próximo dia 20 —, além de contratar um republicano como chefe de assuntos públicos da empresa.
Também ontem, Zuckerberg concedeu entrevista a um podcast no qual criticou a gestão do presidente Joe Biden por solicitar a censura de conteúdos nas plataformas da empresa durante a pandemia de coronavírus.
Os republicanos têm se oposto, há muito tempo, a programas de diversidade em empresas, muitos dos quais foram estabelecidos após o movimento Black Lives Matter, em uma tentativa de reconhecer as disparidades raciais nos Estados Unidos.