Título: Anúncio de salário em Xerém
Autor: Juliana Rocha e Paulo Celso Pereira
Fonte: Jornal do Brasil, 21/01/2006, País, p. A3

Na visita ao Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), em Xerém, distrito de Duque de Caxias, o presidente Lula voltou a anunciar benefícios diretos à população local. Visivelmente cansado em função da campanha de Queimados, o presidente falou para cerca de 200 funcionários anunciando plano de cargo e salários. Exaltou a empresa. No fim, afirmou à imprensa que o novo salário mínimo será anunciado terça-feira.

- Nós certamente faremos acordo com o movimento sindical. É inédito, porque o movimento sindical nunca discutiu com nenhum governo o salário mínimo - destacou.

Antes de falar, Lula ouviu rápido discurso do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, que criticou a política econômica do governo. Ele fez referências ao contigenciamento de verbas e ao valor do dólar.

- Vocês viram a obsessão do Furlan pelo dólar. Porque ele olha muito o lado do exportador, mas o lado do comprador ele não olha, o lado do devedor ele não olha - rebateu Lula.

Furlan não foi o único ministro a cometer gafes. Em Queimados, o ministro da Saúde, Saraiva Felipe, afirmou que ''graças a Deus, os dois casos de óbito por dengue no Rio, na verdade, eram leucemia e apendicite''.

Em Queimados, o presidente usara jargões das mais conhecidas cartilhas políticas, como ao garantir que estuda a possibilidade de instalar a refinaria da Petrobras em Itaguaí, um pleito dos prefeitos aliados da Baixada. Este é um dos conflitos com o governo do estado, defensor da instalação em Campos, cidade natal de Garotinho.

- Os prefeitos me procuram para dizer que a Baixada precisa do pólo, porque é a mais pobre e numerosa. Não posso decidir ainda, mas não governo apenas com a racionalidade da cabeça, e sim com a sensibilidade do coração - afirmou, parafraseando Napoleão Bonaparque que dizia: ''O coração de um homem de estado deve estar na sua cabeça''.