Título: 'Um tapinha não dói'
Autor: Josie Jeronimo
Fonte: Jornal do Brasil, 24/01/2006, País, p. A2

Militar linha dura, adepto da pancada pedagógica na educação de crianças, o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) resolveu atrapalhar o andamento do projeto lei que estabelece o fim do palmada. Nesta semana, ele entrará com recurso que exige a votação do documento na Câmara antes de ser apreciado no Senado. O projeto, de autoria da deputada Maria do Rosário (PT-RS) foi aprovado nas comissões em que passou na Câmara e já está na Casa Alta. Por isso, o recurso do deputado tem pouca chance de vingar e soa mais como uma provocação a deputada, de quem é inimigo declarado. Bolsonaro e Maria do Rosário protagonizaram em novembro de 2003 cena de agressão.

No entanto, seguindo sua lógica militar, o deputado, que é pai de um garoto de 7 anos que vez ou outra leva uma palmada, defende a violência na educação.

- O moleque de 12 anos vai ameaçar os pais: O coroa, se você me dar uma palmada eu vou te denunciar para a polícia. Quem tem que fazer teste de sanidade mental não são os pais, mas quem fez esse projeto ou votou a favor - atacou referindo-se a trecho do projeto que prevê a reabilitação dos pais ''agressores''.

Maria do Rosário diz que o objetivo do projeto não é cercear o direito dos pais, mas estabelecer limites. Apesar disso, a parlamentar, que é mãe de uma menina de cinco anos, confessa que as vezes as pirraças infantis podem enlouquecer qualquer um:

- Minha filha não apanha. Já deu vontade, mas eu não bati.