Título: Palocci depõe como convidado
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Fonte: Jornal do Brasil, 25/01/2006, País, p. A5

BRASÍLIA - O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, prestará esclarecimentos à CPI dos Bingos amanhã, na condição de convidado, depois da sessão plenária do Senado destinada à votação de projetos. O depoimento foi combinado por telefone em conversa entre o ministro e o presidente da comissão, Efraim Morais (PFL-PB).

Parlamentares acreditam que a inquirição não ameaçará a permanência de Palocci do ministério. PSDB e PFL não querem ser acusados pela eventual saída do ministro ou de desestabilização econômica. Oposicionistas querem captar imagens de Palocci em situações constrangedoras para a campanha eleitoral. Para o líder do PFL no Senado, José Agripino Maia (RN), o depoimento ''será duro, mas respeitoso''.

- Ele só virou um acontecimento pela demora na realização - disse o líder da minoria no Senado, José Jorge (PFL-PE).

Desde o início da semana, o senador Tião Viana (PT-AC) teve o sinal verde para marcar rapidamente o depoimento. Ele afirmou que a CPI investigara 13 mil contratos da prefeitura de Ribeirão Preto, quando chefiada por Palocci, sem encontrar irregularidades.

Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) trabalhou pela blindagem de Palocci ano passado. Ontem, criticou a marcação do depoimento para depois da sessão do Senado. Para ele, o horário pode esvaziar a CPI.

- Esse não é o melhor método para o ministro Palocci, que aqui foi tão bem ajudado por mim - afirmou ACM.

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), garantiu que a sessão deliberativa será realizada na parte da manhã.

O depoimento acaba com a queda-de-braço entre Palocci e Efraim. Em 2005, o presidente da CPI dos Bingos ameaçou colocar em votação por várias vezes o requerimento de convocação do ministro da Fazenda. Agora, Palocci poderá rebater, por exemplo, o recebimento de R$ 50 mil mensais da Leão Leão quando era prefeito de Ribeirão Preto. Ele também será questionado sobre participação na suposta injeção de dólares de Cuba na campanha de Luiz Inácio Lula da Silva em 2002.