Título: Saúde abalada pelo trabalho
Autor: Eruza Rodrigues
Fonte: Jornal do Brasil, 24/01/2006, Brasília, p. D4

Dor de cabeça, tontura, coceiras na pele, queimaduras. Os trabalhadores que estão expostos a produtos químicos, como agrotóxicos e solventes, e não usam os equipamentos de proteção individual (EPIs) correm o risco de ter esses sintomas em algum momento da vida. É o que constatou a dissertação de mestrado Avaliação clínico-ocupacional de trabalhadores assistidos no ambulatório de toxicologia ocupacional de Brasília, apresentada pela médica toxicologista Andréa Franco Amoras Magalhães na Universidade Brasília (UnB), no final do ano passado. Os 188 trabalhadores pesquisados foram atendidos pelo Ambulatório de Toxicologia Ocupacional da Diretoria de Saúde do Trabalhador do Distrito Federal, entre 2003 e 2005. A maioria (86%), segundo a pesquisadora, tinha em comum o contato freqüente com agrotóxicos no ambiente de trabalho. São trabalhadores rurais, funcionários da área de saúde que trabalham em campanhas contra a dengue, empregados de firmas de dedetização, vendedores e repositores de produtos químicos.

Andréa Magalhães comprovou, durante o acompanhamento dos casos, que 81% dos funcionários contraiam as doenças porque não usavam máscara, bota, luvas e roupas adequadas na hora de manusear os defensivos agrícolas. O calçado, no entanto, é o equipamento mais usado (5,3%), enquanto a proteção respiratória corresponde a 1% do universo atendido.

Exigências - A falta de cuidados com a saúde demonstra também o desconhecimento da periculosidade dos produtos. Além disso, a pesquisa mostra que, embora a legislação brasileira sobre agropecuária seja avançada, muitos agricultores ainda conseguem comprar pesticidas de forma indiscriminada.

O agrônomo Lúcio Valadão, da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), explica que os produtos devem ser vendidos mediante a apresentação do receituário agronômico. O documento traz informações sobre o limite de carência, já que a aplicação é diferente de acordo com o estágio da lavoura. Na colheita, por exemplo, os cuidados são redobrados para que os resíduos não fiquem nos alimentos. O manuseio incorreto pode intoxicar os consumidores.

- Máscara contra gases, macacão de manga comprida impermeável, luva, óculos protetor, toca árabe são equipamentos importantes para o trabalhador e evitam problemas de saúde - explicou Lúcio Valadão.

Saúde - Quem está com os sintomas, precisa procurar o posto de saúde mais próximo. O tratamento, na maioria dos casos, é feito a curto prazo. Para ficar livre da intoxicação, o trabalhador precisa ser afastado, em média, por 60 dias. Nesse período, ele faz os exames clínicos e físicos que vão constatar o nível de adoecimento. A medicação é prescrita pelo médico de acordo com o resultado.

A cefaléia é a patologia mais freqüente e atingiu 79% dos pesquisados. A amostra comprovou também 31% estavam com com pruridos na pele e 31% tinham tonteiras.

Serviço

A Emater fez o livreto Agrotóxicos - Recomendações para manuseio e aplicação. Custa R$ 7,00. O agricultor que tiver dúvidas sobre o assunto pode ligar: 3340-3030