Título: Missão já tem novo comando
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Fonte: Jornal do Brasil, 24/01/2006, Internacional, p. A9

PORTO PRÍNCIPE - O general brasileiro José Elito Carvalho Siqueira assumiu ontem o cargo de novo comandante da Missão de Estabilização da ONU no Haiti (Minustah), com 7.500 soldados de mais de 10 países diferentes (em maioria latino-americanos) e 1.987 policiais internacionais. O oficial substitiu o general Urano Teixeira de Matta Bacelar, que se suicidou no dia 7 de janeiro, de acordo com os relatórios de investigação da ONU.

Siqueira foi apresentado aos capacetes azuis pelo embaixador chileno Juan Gabriel Valdés, representante do secretário-geral da ONU no Haiti. Também participaram o general Eduardo Aldunate, que comandava interinamente as tropas, e o embaixador brasileiro no Haiti, Paulo Cordeiro. O principal desafio da missão é garantir a segurança durante as eleições gerais haitianas, previstas para o dia 7 de fevereiro. Os capacetes azuis têm sido criticados por ONGs de direitos humanos, em função de sua atuação ao lado da truculenta polícia local. Também há problemas de relacionamento entre soldados jordanianos e o comando brasileiro.

- Nossa responsabilidade será proporcionar segurança para que estas eleições sejam livres e democráticas - disse Valdés, lembrando ao general que a insegurança ''se reduz a certas zonas, especialmente na capital.

- Por isso é parte de sua missão retomar o controle e desmantelar os grupos armados destas áreas para levarmos Saúde, Educação e trabalho.

Há muito trabalho ainda por fazer. Haiti e Colômbia são os dois países da América Latina e do Caribe onde a situação da infância e das mulheres é mais difícil, segundo relatório do Fundo da ONU para a Infância (Unicef) na região. O organismo divulgou ontem o relatório anual de atividades humanitárias no mundo. No caso do Haiti, ''crianças e mulheres vivem em uma conjuntura caracterizada por instituições em crise, infra-estrutura destruída e acesso reduzido aos serviços sociais básicos'', ressalta o documento.

O texto acrescenta que, apesar de os esforços da missão da ONU terem sido bem-sucedidos em quase todo o país, ainda há bairros de Porto Príncipe que continuam sendo cenário de violência. Trata-se de Cité Soleil e Bel Air, favelas onde gangues armadas detém o poder.